Sobre a Morte…

9 09UTC Dezembro 09UTC 2009 por Roberto

Morrer é recomeçar, e isto está em todas as mitologias do mundo. A morte é apenas um novo caminho, um caminho misterioso do qual muitas pessoas tentam fugir tenazmente. Mas, segundo Joseph Campbell “Quando se afirma a vida, não há como negar a morte”, portanto, podemos até negá-la, mas jamais fugir dela. A mitologia nos mostra a importância deste ritual que não é apenas físico, mas espiritual, explico.

Vivemos em um mundo em que o duplo é predominante. Tudo neste plano objetivo é dual, se há vida há morte, se há amor há ódio, e assim nos acostumamos a esse mundo de yin e yang. Nós ocidentais, impregnados a uma mentalidade materialista, não concebemos uma vida em ciclos alternados, levamos a vida com pressa, sem observar o que há de melhor e mais belo. Temos levado a vida com ansiedade e medo, pois sabemos que tudo isto é um sonho, algo que passa e não é real. Infelizmente esquecemos a sabedoria dos índios navajos e o caminho do pólen, um caminho que procura enxergar a vida em todas as suas manifestações, todas suas cores e formas, no caminho do pólen não há morte.

Recordo da história de uma tribo antiga a qual esqueci o nome. Eles costumavam enterrar seus mortos em posição fetal, pois acreditavam que eles renasceriam para uma nova etapa, uma nova vida, um novo clico. A vida em sua totalidade é feita de ciclos, eu particularmente acho a imortalidade uma maldição, há de haver um tempo para descansar dessa loucura, quando velhos ficamos encurvados pelo peso das decepções de uma vida de felicidade, mas também de intenso sofrimento, necessitamos de descanso. A morte nesse ponto é misericordiosa. Embora acredite, sinceramente, que a morte é um fato, não acredito nela como fim.

Agora é certo que morremos várias vezes em vida, alguns morrem apenas uma vez, mas este é o caminho dos grandes heróis da humanidade. Infelizmente somos pequenos ainda, temos de morrer muitas vezes para enxergar a verdade, tanto literalmente como metaforicamente, temos de morrer para renascermos melhores. Várias são as histórias que contam a saga de um homem superior que enfrentou a morte, desceu aos infernos e voltou à vida. Pois esta é a saga humana, morrermos para nos tornamos imortais.

Apenas uma coisa é certa, nos norteamos pelo princípio inteligente que é a vida, falta apenas aprendermos a dançar a música, aliás, precisamos primeiro ouvi-la. Após reconhecermos a música do universo dançaremos ao som dos tambores de Shiva, o deus do tempo e da dissolução, superaremos o tempo e a morte será vista como parte do ciclo, parte da vida. Até mais.

Palavras pequenas, palavras…

29 29UTC Novembro 29UTC 2009 por Roberto

Mais uma noite insone, estou cansado, mas ainda disposto a escrever alguma coisa para ser lido, não que tenha a pretensão de ter leitores, não tem nada a ver com isto, mas ninguém escreve para o vazio, oras. Todas as pessoas escrevem porque querem ser lidas. Se bem que nem todos escrevem grandes histórias, é verdade, mas se não podemos ser grandes, que sejamos ao menos significativos, isso basta, eu acho. Pois então que sejamos um pouco menos retóricos e mais significativos. Vamos ao que interessa, reflitamos um pouco sobre o encanto das palavras.
Já disse aqui uma vez que escrevo porque gosto e que não espero qualquer tipo de reconhecimento, apenas escrevo, deixo-me contaminar pelos pensamentos que, como rios, se encontram formando uma imensa corrente venosa de ideias na qual os sentimentos discorrem para um lago calmo e tranquilo. Gosto desses rios, rios de palavras-ideias. Gosto de me sentir mergulhados nelas, empapado de significados ocultos e latentes que cada uma traz consigo, gosto desse sentimento, o de imergir no discurso.
Palavras são rios, o texto é o oceano, diria o poeta. O certo é que as palavras não foram criadas para viver em separado, elas somente funcionam quando estão inseridas em uma determinada situação comunicativa. As palavras se realizam em conjunto, detestam viver isoladas, não nasceram para o isolamento. É certo que algumas palavras vivem sozinhas, mas essas são palavras filósofas, palavras que por si só dizem tudo, são intransitivas, mas que de vez em quando descem do mundo das ideias e vem ter conosco uma conversa. O amor é uma dessas palavras, que sozinha muda o mundo, que faz as pessoas escreverem discursos, que fazem chorar o amante em sua desventura. Amor é uma palavra de poder.
Não podemos esquecer que essas são palavras privilegiadas, realizam-se por si mesmas, não precisam de outras. Mas há sempre as palavras menores, chamadas de palavras-função, que apenas interligam termos estabelecendo um sentido entre eles. Há várias assim, mas não vamos descrevê-las, elas são tímidas, sentem-se menos importantes que as outras, mas não é verdade. Afinal, toda palavra, por menor que seja, pode mudar o curso da história. Bem, agora deixo com vocês o poema de Cabral, o Melo Neto, que resume tudo que falamos aqui, mas de um modo todo especial e por que não dizê-lo, essencial.
Rios Sem Discurso

Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de águas, em água paralítica.
Em situação de poço, a agua equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhum comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria

*
O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega mansamente a se restar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloquencia de uma cheia
lhe impondo interinaoutra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.”

Sobre ser Ocultista e a Lei do Karma…

13 13UTC Novembro 13UTC 2009 por Roberto

Há aproximadamente dois anos postei um texto neste blog comentando sobre a magia negra e suas consequências. Houve alguns questionamentos e o último me deixou um tanto atento para essa questão muito problemática e que deve ser levada mais a sério por aqueles que estudam ocultismo. Como já disse outras vezes aqui não sou ocultista, não tenho coragem para dizer que sou, apenas estudo algumas coisas e tenho um conhecimento superficial e vago sobre o assunto. Para ser um grande Ocultista é necessário um coração nobre e puro e uma vida totalmente dedicada à grande órfã – a humanidade. Nas palavras do Budismo do Norte “Enquanto houver uma lágrima para secar eu estarei de pé para ajudar meu irmão”, esse é o sentimento de um verdadeiro ocultista.

Os ocultistas são aqueles homens – ou mulheres – que dedicam suas vidas ao bem social, não apenas alimentando o corpo, mas também a alma das pessoas. Um grande Ocultista deve ter em mente e entranhado em seu coração a verdadeira natureza e essência do universo que é a verdade fundamental e angular de toda magia: somos todos uma coisa só e todas as crenças são na verdade uma. Se não houver o sentimento de unidade e enquanto existir qualquer traço de separatividade e segregação então não se pode dizer a ninguém que se é ocultista.

Quanto à magia negra e suas conseqüência expus em termos bem simples, mas vou definir nas próprias palavras da teosofia que diz que “magia negra é todo e qualquer artifício mental ou psíquico que não vise o bem coletivo, mas sim o individual”. Se pensarmos pelos mais simples atos como, por exemplo, uma oração em que a pessoa com fervor ora para a desgraça de um desafeto é em si um ato de magia negra. Todo ódio, ignorância, e superstição são atos profanos que agridem nossa psique e nos afastam do verdadeiro caminho. Isso não significa que você não possa ter uma vida decente, de conforto, desde que você não passe por cima de ninguém para conquistar seus objetivos. Podemos ser felizes e prósperos sendo honrados e amando nossos semelhantes, não podemos deixar que essa doença mental do materialismo e consumismo gangrene nosso coração.

Além disso, é importante ressaltar a importância que tem a lei do karma neste processo. O Karma é uma lei de redistribuição de energia, uma lei inexorável do universo que tem uma definição simples “tu colhes aquilo que plantas”. É a parábola dos talentos de Cristo, entre outros contos maravilhosos e parábolas que nos atentam para a conseqüência de nossos atos e pensamentos, a lei do karma é uma lei de ação e reação.

Mas como fazer para fugir da lei? Não se foge exatamente dela, mas há um meio pelo qual você é capaz de extinguir o seu karma indo diretamente para a iluminação. Somente por meio do amor, somente ele é capaz de destruir a roda do karma, somente o amor pode aniquilar o tempo e o espaço, o amor é algo que está para além do bem e do mal, é o sentimento primordial que faz de nós seres divinos. Somente pelo amor de Cristo (proferido no famoso sermão da montanha) e de todos os outros Bodhisattvas é que quebraremos as cadeias do karma, do samsara, e de todos os nossos problemas.

Todos temos escolhas e sabemos que nossas escolhas implicam em algo. Vou pegar o antigo exemplo oriental da pedra no lago, se você joga uma pedra diretamente ao lago esse vai formar uma onda concêntrica de vários anéis ao seu entorno que irá até as margens ou extremidades do lago, assim é uma ação, se você pratica uma ação ruim esta impregnará todo o cosmo e todo o ambiente ao seu redor, portanto é sempre bom pensar sobre nossos atos. Temos que plantar boas sementes, espalhar a boa energia, uma energia de felicidade e contentamento constante com a vida e compaixão para com os demais. Que sejamos como a chama que sempre se dirige ao alto, ao elevado, e que não sejamos como ela quando posta em frente a uma porta aberta, flexível e instável pelo movimento do vento, representado pela nossa psique.

Essas são apenas algumas considerações de um leigo sobre esses assuntos místicos. Vamos ver se esclareci algumas dúvidas e se mais outras surgem. Um abraço.