Já pensei em burlar as leis da física e pertencer a dois lugares ao mesmo tempo, mas descobri que era impossível. Já tentei conversar com pessoas de opiniões diferentes e ter sucesso, porém já tentei o diálogo com o fundamentalismo e quase apanhei muitas vezes. Descobri que algumas vezes, não importa o quanto se é bom, algumas coisas não têm perdão e peço desculpas a quem não posso perdoar. Já tentei resolver o teste de Einstein muitas vezes e compreendi que minha capacidade em lógica é muito deficiente.
Já tentei rascunhar textos inteligentes sem sucesso. Li e compreendi Machado de Assis, porém nunca vou ter aquela arguta capacidade de observação da psique humana. Vi o que havia de bom em Álvares de Azevedo. Sintetizei a maior parte dos livros que li para chegar à conclusão óbvia que não havia entendido muita coisa. Já disse muitas vezes que li livros que nunca lera de fato e em outras ocasiões comentei livros que a maior parte das pessoas nunca leu e isto não me faz melhor nem pior que ninguém. Pois o homem não se define pelo quanto sabe, mas pelo que é capaz de fazer com o que sabe.
Tentei argumentar várias vezes que a culpa não é do sistema. Fiz discursos em praças vazias para mostrar que a revolução se dá no Coração do homem. Algumas vezes tentei mostrar que estudava Ocultismo, mas que não era Ocultista. Delimitei várias vezes meus sentimentos e os entreguei a quem não merecia e chutei a maior parte das vezes as oportunidades decentes. Tive mestres de verdade, porém nunca de fato soube honrá-los com a prática de seus ensinamentos. Consegui me formar quando todos acreditavam que era impossível.
Descobri que sou demasiadamente humano e como humano descobri que nasci para amar e ser amado, sofrer e fazer sofrer, brincar e ser responsável, ou seja, descobri que tudo neste plano relativo tem seu contrapeso e sua compensação. Morri muitas vezes por saber de pessoas que simplesmente davam de ombros ao ouvir falar do meu nome, porém um dia resolvi dar de ombros quando ouvia o nome delas. Perdi muitos amigos por ser falso e hoje não importa o que eu fizer, eles não vão mudar de opinião, pois a imagem congelou no tempo e não existe espaço para curar certas feridas.
Em trinta anos muita coisa mudou, transmutou e cresceu. Avançamos no tempo, mas será que entramos de fato nele? Será que ainda somos os mesmos de 10 anos atrás? Faça como o tempo e siga em frente, mas recolha alguns de seus brinquedos que ficaram para trás, faça da sua vida uma verdadeira viagem a fim de que descubras quem és. “Torna-te aquilo que és” (Nietzsche).
Namaskar
20 20UTC agosto 20UTC 2011 às 1:25 am |
Procurar ser aquilo que somos, em verdade.
Fazermo-nos limitações como tentativas honestas de definições de nós mesmos, para no futuro compreendermos que: somos ‘o tudo’.
Sempre retorno. Fico feliz em encontrar agradável e profunda leitura.
Abraço
AMC