Posts de Agosto, 2009

Discurso do Jovem Idealista de Amanhã…

26 26UTC Agosto 26UTC 2009

Sei que assunto é velho e muito já foi discutido sobre ele, contudo fico tenso e ao mesmo tempo curioso ao ver que mesmo ante as revoltas, indignações, atos secretos, nepotismo, bate-boca, engavetamentos de processos no Conselho de Ética, a sociedade brasileira permanece calada, como se estivesse cheia dessa picuinha e quisesse mesmo é tomar a sua cerveja no final de semana, formar uma roda de samba e cantar as mazelas. Brasileiro não quer pensar, não quer sentir na carne a navalha do esquecimento rasgar o seu peito. O brasileiro não quer enxergar a realidade podre, de canalhas cristalizados nas cadeiras do planalto daquele que deveria ser um dos órgãos mais importantes de nossa fatigada e doente democracia. Estamos vivendo nos tempos em que é melhor virar as costas, sermos passivos, ou omissos, assintindo a tudo bestializados como sempre, a não reivindicar mais nada, simplesmente aceitar, e dormir cansados depois de um dia intenso de trabalho. Não, o brasileiro não quer pensar, ele não quer dormir pensando nos milhares de analfabetos e miseráveis que são frutos do resultado desta política corrupta e que se mostra a cada dia muito pouco interessada em seus deveres públicos, dormir com mais um problema entre tantos? Não dá. O que nos resta a  fazer, então, é tapar nossos olhos e engolir e digerir o trabalho escravo nas carvoarias do Pará, ou os olhos pustulentos dos meninos no interior do Maranhão, vamos esquecer as constantes enchentes em vários estados do Brasil, vamos continuar pagando a maior e mais absurda quantidade de impostos existentes e termos como resultado um sistema de saúde, educação e de segurança precários, não vamos nos opôr ao salário mínimo o qual não atende sequer um requisito do artigo quinto da constituição federal. Não, não vou me incomodar, vou continuar assistindo indignado a velha retórica barata e calhorda dos políticos cretinos que envergonham nossas tradições e nosso país. Nós temos uma identidade cultura, uma literatura própria, uma língua (ou vocês acham que ela ainda é portuguesa?), somos um país imenso em riquezas e coisas positivas, então porque deixamos essas pessoas nos mastigarem pelo umbigo? Será que gostamos desse sofrimento incessante que todos os dias nos trazem os jornais sobre o irmão que assassinou o outro por motivos frívolos, ou do adolescente de treze anos que matou o amigo na escola por um jogo de futebol? Será que somos sádicos ou impotentes e, principalmente, frios ao ver milhares de pessoas sem nenhuma perspectiva vendendo bombons nos coletivos sem qualquer tipo de serviço assistencial, sem saber ler, escrever, sem nada, inclusive para interpretar o belo vocabulário do nosso ex-presidente que nos presenteia com belas afirmativas totalmente vazias de significado. Vejo nesse homem o retrato do pai dele, um homem que matou um inocente dentro do senado federal, um suplente, sem querer, logicamente. Temos o país nas mãos de um punhado de famílias psicopatológicas que somente prezam pelos seus particulares fazendo com que a fome, a miséria e a falta de oportunidades cheguem ao extremo, tão ao extremo que já ouço gente com saudade dos tempos dos militares, das marchas e das botas, do silêncio e do sofrimento e tortura dos porões, há gente com saudade disso, pode? Bem, o certo é que não iria mudar nada, ficaríamos até piores, mas confesso que essa é uma outra ditadura, disfarçada, de inimigos ocultos e que nos ferem nos campos mais sutis, não é à toa que Platão dizia em sua República que a democracia era a segunda pior forma de governo, hoje eu até contesto o que há de mais firme no mundo, os princípios democráticos, isso porque estamos nas mãos de velhacos parlapatões, para utilizar uma das belas palavras de Collor, e seguimos com nossas opiniões sonhos e anseios sendo digeridos, engolidos pelos monstros sedentos do Poder. E nós, estamos esperando quem? Os grandes heróis dos tempos da ditadura? Acho que a maioria ou está caduca ou já desencanou. Mas nós não, somos jovens, carregamos o emblema da esperança, e necessitamos urgentemente de algo novo, renovado. Chega dessa passividade, dessa lentidão mental, dessas conversas e teorias que não mudam nada e só problematizam o mundo. Chega! É hora de mudança, vamos mudar esse país, no dia 7 de setembro iremos para as ruas, agitaremos nossas bandeiras bem alto, nosso coração e o seu baterão novamente por alguma coisa, por uma ideia. Então, amigos, não sejamos covardes, vamos em direção a um novo país, um país em que reluz a Esperança e a Fraternidade, que não coadunemos mais com a covardia e o totalitarismo, avante jovens, sigamos em frente que o sol já despontou no horizonte, um novo país se aproxima…

Sobre o valor da Cortesia…

22 22UTC Agosto 22UTC 2009

Geralmente quando somos crianças nossos pais nos ensinam lições de boas maneiras e formas de se portar ante a sociedade, algumas são dispensáveis, outras valiosas e fundamentais para a manutenção de nossas frágeis relações sociais. Vamos tratar delas aqui em um espaço curto de linhas e de prosa.
Obrigado, por favor, licença. Lembram das palavras mágicas? Quando crianças aprendemos logo o abacadraba, que nos abrem portas, amenizam discursos, modalizam as falas, mas, principalmente, são sinais de generosidade, palavras que guardam o poder da gentileza e do respeito. Não é apenas um meio de se mostrar educado para os outros, mas sinal de gratidão e carinho. Em um mundo mergulhado na violência, medo e constrangimento, temos esquecido a mágica das três palavras e passado a nos comunicar por grunhidos estridentes e gritos de desespero. Poderíamos voltar a praticar a cortesia por meio dessas palavras que são capazes de acalmar o mais feroz dos corações humanos.
Outra forma de cortesia esquecida é com os idosos, ninguém respeita o conhecimento, a sabedoria e a experiência que representam. Simplesmente os tratamos como se fossem brinquedos velhos, encoberto de poeira e sem valor. Só ver como o Governo trata os idosos neste país, uma vergonha, e como o Estado não demonstra respeito e não dá exemplo, só quer saber de arquivar sentenças e atos secretos, não são os jovens que irão dar. Cansados e maltratados sobrevivem com uma aposentadoria miserável, sempre descontada por conta dos empréstimos consignados que fazem aos montes. Não enfrentar fila, andar de ônibus de forma gratuita é o mínimo, mas nunca o suficiente para demonstrar o respeito para com esses que deram suas vidas para a construção desse país. Um país é o retrato de sua educação para com os mais velhos e jamais seremos respeitados se não soubermos tratar com consideração e espírito de gratidão nossos antepassados.
Não apenas os nossos idosos, mas devemos praticar a cortesia com todas as formas de vida. Fico impressionado quando alguém fica assustado ao me ver soprar um copo pelo fato de haver ali uma formiga, a pessoa diz logo: “por que você não mata?”, eu respondo: “matar algo por nada é a ação mais ignominiosa que alguém pode cometer e não é humano”. Uma forma de vida, por menor que seja, merece respeito e tem direito a viver, não é por ser pequeno que se é insignificante, nós sabemos onde a história termina quando pensamos dessa forma. Contudo, é claro que não vamos ficar esquizóides e não andar mais por medo de matar as formigas, o que falo aqui é cortesia para com a vida e não para com a loucura. Matar, destruir, humilhar pelo prazer, ou sem nenhum tipo de justificativa é um crime bárbaro e atroz, temos de nos abster deste tipo de comportamento e ensinar as crianças o valor que cada ser vivo possui.
Cortesia nada mais é do que o amor a si mesmo e pelos demais, é viver em toda sua plenitude a natureza humana, demonstrando respeito pelos seres humanos, ao reconhecer em cada um seu valor histórico-social. Somente assim cresceremos juntos e construiremos uma era de paz e fraternidade.

Uma historinha para reflexão

14 14UTC Agosto 14UTC 2009

Estava no alto de um prédio esperando uma reunião sob um intenso calor, os assuntos em pauta não seriam os melhores, os pensamentos acerca dos problemas incomodavam e o estresse tomava conta de mim: muitas contas para pagar, problemas de saúde, situações desagradáveis em casa com meus familiares. Às vezes a gente pensa em desistir, jogar tudo para o alto e virar hippie ou cantor sertanejo, foi quando vi a borboletinha.
Engraçado, a borboleta, já contei pra vocês, é o símbolo da inconstância, ela fica de lá pra cá, de lá aqui, daqui pra lá, simplesmente ela não para. Mas nem pensei nisso, naquele momento o que me encantava era o fato de ela estar ali, no alto daquele prédio, sendo tão pequenina e não conseguindo voar, sim, ela não voava muito bem, não sei se estava machucada, ou se era nova, mas ela estava ali, no alto daquele prédio, dava seus voos curtinhos e continuava seu trajeto, lentamente ia longe…
Olhei pra ela, pensei por um minuto: “como ela veio até aqui? Essa pequenina conseguiu subir tudo isso?”, o prédio não era apenas alto, era largo, havia muitos lugares para entrar e sair e lá estava ela no último andar. Não conseguia achar uma resposta, deixei, então, de lado minha filosofia de rodoviária. Quando a reunião ia começar tive um estalo mental e a resposta veio de imediato ao coração, porque a mente mente, ela não sabe nada, quem sabe dos mistérios do mundo é o coração.
Olhei para a professora ao lado e sorrindo disse: “Oras, porque o impossível não existe, somente o possível é real”.
Sei que parece meio autoajuda, mas eu fiquei feliz em ter observado aquilo. Em sentir que não existe impossível e mesmo que aparentemente sejamos pequenos e fracos podemos, sim, mudar o curso da história, basta fazer do impossível uma realidade.