Posts de Julho 28th, 2009

As Pedras…

28 28UTC Julho 28UTC 2009

Chamo-me Ricardo, tenho pouco mais de vinte anos, idade das grandes paixões, semelhantes às de Wether.  Mas  curiosamente não tive em mim as fantasias dos loucos e os desatinos de um homem apaixonado. Eu, como pessoa pensante e pulsante só tenho uma obsessão: as pedras. Vocês já pararam para pensar em como as pedras são engraçadas? Oras, mas me desculpe, leitor, eu não sou louco, até Fernando Pessoa achava graça nas pedras. O Fernando, louco? Mas quando, mania da sociedade chamar todo gênio de louco, se vocês não podem ser Sócrates, que se contentem em ser Paulo Coelho, oras, ninguém é perfeito, mas vamos voltar às pedras.

Drummond, por exemplo, soube valorizar o sentido das pedras, ele as musicou, mas creio que a palavra exata para o que ele fez seria transmutar. O poeta soube transmutar pedras em melodia, tirou delas o Sagrado Elixir,  Drummond encontrou a Pedra Filosofial e fez isso da mais singularíssima forma, trouxe à poesia a mística profunda da metafísica filosófica.  Ele sabia a graça que as pedras tinham, bastava sacudi-las e de lá saiam poesias, palavras que virariam sons, pedras que eram música,  só mesmo sendo poeta para entender isso, o poeta entende o essencial. Nós, que procuramos nossos sentimentos em superficialidades, nada mais somos que um homens procurando em plena luz do dia, e de lanterna em mãos, um homem honrado, para citar um cínico filósofo. Cito para vocês a poesia do mineiro de Itabira, poesia que foi criticada, pode?

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930
© Graña Drummond

Os poetas veem o majestoso em todas as coisas e nas pedras não poderia ser diferente, oras. Você as olha e elas sorriem de volta, e logo a gente se põe a pensar sobre o mundo, as coisas, a filosofia etc. Acho que sou pedra, daquelas que os meninos chutam pra lá e pra cá, que ficam de um lado para o outro. Sim, sou pedra itinerante. Imagine se seria uma pedra normal, negatofe. Tudo que é normal é triste, ou você é diferente ou é comum, imagine escrever a história de sua vida  de qualquer forma  e de caneta bic?  Isso sim é uma vida comum e ninguém quer uma vida qualquer, todos querem uma grande aventura e querem tanto que pulam de paraquedas e surfam em Boa Viagem, no Recife.

Lembram da História sem Fim? Aquele filme legal da infância do menino que sai voando no dragão da sorte Fuchur? Pois então, lá também tem uma pedra, uma pedra que come pedras, esquisito, mas não importa, o que merece destaque é que a pedra ajuda o heroi em sua saga para salvar a imperatriz menina. Viu? Pedras também podem ser heroínas. Duvido que você não conheça aquela historinha em que um homenzinho, pequenininho, baixote, ganhou o gigante com uma bela pedrada no olho. Aposto que sim, está lá no Grande Livro, basta consultar.

As pedras são sempre bonitas, mas existem aquelas de brilho tão intenso que estimulam a cobiça humana. A culpa não é das pedras, mas dos homens que cedem ao seu poder, se deixam levar pelos encantos, logo, infelizmente, seus corações obscurecidos tornam-se de ferro, sem graça e frio, acho que alguns corações humanos são a verdadeira medusa, mas daquelas que transformam tudo em ferro, em pedras não pode ser, esses narradores antigos não sabem nada, acham que deuses são humanos, oras.

Sabe, Eu gosto das pedras, me deixo encantar por elas, às vezes as ponho no bolso, as levo comigo para passear e ao final da tarde quando não tenho ninguém para conversar elas aparecem e me fazem companhia. Há sempre uma pedra no meio do meu caminho, mas eu não reclamo. As pedras para mim não são obstáculos, mas um universo a parte que quero descobrir ao final da tarde.

Ao final desse texto gostaria de apresentar um trecho do livro História sem Fim,de Michael Ende:

“- Calma, pequeno louco, rosnou o lobisomem. Quando chegar a sua vez de saltar para o Nada, você se transformará também num servidor do poder, desfigurado e sem vontade prórpia. Quem sabe para o que vai servir. É possível que, com sua ajuda, se possam convencer os homens a comprar o que não necessitam, a odiar o que não conhecem, a acreditar no que os domina ou a duvidar do que os podia salvar. Por seu intermédio, pequenos seres de fantasia, fazem-se grandes negócios no mundo dos homens, desencadeiam-se guerras, fundam-se impérios…”

Chamo-me Ricardo, tenho pouco mais de vinte anos, idade de grandes paixões, mas não daquelas de Wether, não, eu não tenho em mim as fantasias dos loucos e os desatinos de um homem apaixonado. Eu, como pessoa pensante e pulsante só tenho uma obsessão: as pedras. Vocês já pararam para pensar em como as pedras são engraçadas? Oras, mas me desculpe, leitor, eu não sou louco, até Fernando Pessoa achava graça nas pedras. O Fernando, louco? Mas quando, mania da sociedade chamar todo gênio de louco, se vocês não podem ser Sócrates, que se contentem em ser Paulo Coelho, ninguém é perfeito, mas vamos voltar às pedras.

Drummond soube valorizar o sentido das pedras, ele as musicou, mas a palavra exata para o que ele fez seria transmutar. O poeta soube transformar pedras em melodia, e da mais singularíssima forma, trouxe à poesia a mística profunda da metafísica filosófica. Ele sabia a graça que as pedras tinham, bastava sacudi-las e de lá saiam poesias, palavras que virariam sons, pedras que eram música, só mesmo sendo poeta para entender o essencial. Nós, que procuramos nossos sentimentos em superficialidades nada mais somos que um homem procurando em plena luz do dia, e de lanterna em mãos, um homem honrado, para citar um cínico filósofo.

Curioso é como os poetas veem o majestoso em todas as coisas, nas pedras não poderia ser diferente, oras. Você as olha e elas sorriem de volta, e logo a gente se põe a pensar sobre o mundo, as coisas, a filosofia etc. Acho que sou pedra, daquelas que os meninos chutam pra lá e pra cá, que ficam de um lado para o outro. Sim, sou pedra itinerante. Imagine se seria uma pedra normal, negatofe. Tudo que é normal é triste, ou você é diferente ou é comum, imagine escrever história a história de sua vida de qualquer forma e de caneta bic? Isso é uma vida comum, ninguém quer uma vida qualquer, todos querem uma grande aventura e querem tanto que pulam de paraquedas e surfam em Boa Viagem, no Recife.

Lembram da História sem Fim? Aquele filme legal da infância do menino que sai voando no dragão da sorte Fuchur? Pois então, lá também tem uma pedra, uma pedra que come pedras, esquisito, mas não importa, o que merece destaque é que a pedra ajuda o heroi em sua saga para salvar a imperatriz menina. Viu? Pedras também podem ser heroínas. Duvido que você não conheça aquela historinha em que um homenzinho, pequenininho, baixote, ganhou o outro com uma bela pedrada no olho. Aposto que sim, está lá no Grande Livro, basta consultar.

As pedras são sempre bonitas, mas existem aquelas de brilho tão intenso que estimulam a cobiça humana. A culpa não é das pedras, mas dos homens que cedem ao seu poder, se deixam levar pelos encantos, logo, infelizmente, seus corações obscurecidos tornam-se ferro, sem graça e frio, acho que alguns corações humanos são a verdadeira medusa, mas daquelas que transformam tudo em ferro, em pedra não pode ser, esses narradores antigos não sabem nada, acham que deuses são humanos, oras.

Sabe, Eu gosto das pedras, me deixo encantar por elas, às vezes as ponho no bolso, as levo comigo para passear e ao final da tarde quando não tenho ninguém para conversar elas aparecem e me fazem companhia. Há sempre uma pedra no meio do meu caminho, mas eu não reclamo. As pedras para mim não são obstáculos, mas um universo a parte que quero descobrir ao final da tarde.