Há pessoas que são personagens inesquecíveis, digo personagem porque suas vidas foram tão impressionantes e suas obras mais insólitas ainda que fica difícil de acreditar na existência delas. Aqui presto a homenagem às minhas referências, aos meus amigos que fizeram de suas vidas uma bela prosa poética.
Nietzsche

Friedrich Nietzsche
A transcendência para além do Bem e do Mal através do amor. Isso é o que me marcou em Nietzsche, um homem fantástico, terno e meigo que muitos acreditam ser o anticristo (em verdade ele apenas criticou o sistema católico que, infelizmente, apresenta muitas incongruências em algumas de suas afirmações, mas não cabe aqui este tipo de discussão). Nietzsche enxergou o que ninguém mais viu: o eterno retorno e talvez por isso não tenha suportado e mergulhado no imenso caos do inconsciente. Não apenas trouxe à filosofia um pouco de poesia, mas eu suas palavras pode-se ver a ternura e as cores de um mundo melhor. Portanto, para ele, meus agradecimentos.
Sócrates

Sócrates
Foi sensato até o último suspiro, enfrentou a morte como ninguém e dizem que era o mais humildes dos homens gregos evidenciado em sua famosa frase “só sei que nada sei”, e isto após ser proclamado o mais sábio dentre os filósofos gregos pelo Oráculo de Delphos. Sócrates instalou uma filosofia introspectiva que buscava no homem seus “tesouros interiores”, chamada de Maiêutica. Conta-se que Sócrates, ao ser condenado à morte, teve uma oportunidade para fugir, mas não quis, preferiu ficar em sua cela e disse aos seus discípulos que fugir era um atestado de culpa e que não tinha motivos para se sentir culpado. Ao homem mais sábio da Grécia, uma salva.
Lúcio Flávio Pinto
Jornalista e homem de coragem que enfrenta os poderosos e a elite local, em minha cidade, com seu periódico quinzenal chamado de Jornal Pessoal. Aprendi a admirar o jornalismo investigativo do Lúcio, sua prosa, seu estilo quase poético de fazer jornalismo (coisa esquecida pelos idiotas da objetividade, como tão bem expressou nosso caro Nelson Rodrigues). Ameaçado de morte muitas vezes não retrocedeu em sua luta por um Pará mais justo e digno, continua em sua lida árdua, mesmo sem o reconhecimento e o respeito de muitos de seus próprios conterrâneos. Lúcio, o bola cheia da semana.
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa
Sua poesia é para mim êxtase, não há melhor definição para Fernando Pessoa. O poeta místico português procurado pelo estranho mago inglês Aleister Crowley para uma conversa (que inclusive não teria agradado ao poeta) é para mim um feiticeiro das palavras. Não apenas encanta, mas é capaz de provocar os sentimentos mais agressivos e doces em uma alma conturbada. Ele mesmo tinha uma alma oscilante, certa vez escreveu uma carta a dois psiquiatras franceses se autodiagnosticando neurastênico. Se era ou não, isso não me importa, o que considero importante é sua obra, um verdadeiro lápis philosophorum. Ao Fernando, minha admiração.
Cristo

Cristo é uma das personagens mais fantásticas da história universal. Para mim um homem que entra em uma briga que sabe que vai perder e mesmo assim aposta nela é digno de respeito. Cristo foi o homem que resolveu apostar tudo na humanidade e mesmo a beira da morte, sendo crucificado, pediu por ela. Agora eu pergunto: vocês têm dimensão da totalidade deste amor? Não pediu nada em troca, apenas doou e viveu a filosofia que cerceava sua vida: a filosofia enigmática do amor. Cristo não falou, ele viveu o que disse e isso para mim é maravilhoso. Ao Cristo dos evangelhos, minha reverência.