Sobre a Teoria do Caos: algumas considerações

By Roberto

Estive lendo alguns blogs interessantes pela internet e me deparei com um texto maravilhoso no Digestivo Cultural sobre a teoria do Caos. O tema é interessante, não tem nada de esvaziado em significado e não é muito comentado. O problema é que não consigo apostar na teoria, não entendo o motivo, pois não existe, para mim, uma desorganização total, o caos, ou para alguns, entropia. O que existe, é seu contraponto: a neguentropia, como fator que coordena os opostos e equilibra o universo. Não penso que seja uma força cega, mas um sistema inteligente, que transcende todas as esferas da dualidade, para além do Bem e do Mal, como costumava dizer Nietzsche. Alguns pensam logo no conceito de deus, mas deus pode ser um conceito? (só uma digressão, rapidinho).

Não, não penso que deus seja um conceito. Isto porque ele não pode ser nada, e ao mesmo tempo é tudo. Agora, pergunto a vocês: como uma mente prenhe de preconceitos e analítica, que costuma raciocinar as coisas em pormenores detalhes, sem ter uma visão do todo, pode enxergar o absoluto? Não temos a dimensão do que seja o inominável, mas podemos, por exemplo, encontrar algumas de suas manifestações no microcosmo, pois ele sempre será o reflexo do macro. Vamos a algumas idéias.

Vamos pegar o surrado exemplo do corpo humano. Sistematicamente organizado, coeso e eficiente. Os antigos costumavam dizem que nossa máquina biológica não era apenas dotada de instintos, mas também era regida por um princípio inteligente, o que alguns chamam de consciência, a chispa divina que faz dos homens, seres particulares na existência.  Basta observar uma pessoa quando morre, o seu corpo perde o elemento que o animava, o corpo entra em estado de entropia orgânica, o caos generalizado, pois a “chama” deixou de habitá-lo.

Outro exemplo é o da sociedade que, quando se afasta dos elementos de transcendência, procurando valorizar o mundano ao invés do espiritual, quando não procura estabelecer um contato com o principio metafísico,  tem uma forte tendência à dissolução que, lentamente, desemboca no  estado caótico. É a sociedade sem ideais, sem grandes aspirações ou elementos que a encorajem.  Não há um objetivo, um lugar a chegar, ou algo que inspire nos homens um sentimento de fraternidade, de união.

O que quero dizer, com esses dois simples exemplos, é que para todo grande sistema, sejam orgânicos ou não, deve existir um elemento que estabeleça um sentimento de coerência, não sei definir ou nomear o que seja, contudo acredito fortemente que há um elemento que inspira a ordem, mas não uma ordem cega e totalmente previsível, como, por exemplo, a noção que temos de destino. Pode até ser que tenhamos um destino traçado, mas os deuses temiam aos homens justamente porque tinham a capacidade de alterá-lo.

O certo é que o caminho é sempre a evolução, o crescimento, o templo sagrado que mora em nossos corações e que esquecemos, mas que voltamos a recordar quando enxergamos a beleza desta inteligência que permeia a tudo.Portanto, estamos em meio ao caos pela razão de termos nos afastado de nossa natureza divina e espiritual e, enquanto não nos voltarmos para dentro de nossas almas e enxergamos a verdade para além da dualidade, seremos sempre aquelas pessoas que tateiam nas sombras deste mundo que nada mais é do que uma simples ilusão.

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