Posts de Julho, 2009

O Antigo irmão das sombras está de volta…

30 30UTC Julho 30UTC 2009

Creio que a maioria dos leitores (e leitoras) sabe do que estou falando, trata-se de um velho conhecido de todos que insiste em se manter vivo sob a forma de cascão mental a rondar as mentes de todos tornando-as aleijadas e obscurecidas, falo do movimento mais negro da história humana, aquele que soube desrespeitar todas as formas de humanidade, que destruiu todos os conceitos relacionados aos direitos humanos, a ideia que inspirou em certos homens um sentimento ignominioso de superioridade inexistente e que agora se renova, com uma espécie de propaganda disfarçada e que surdamente penetra nas mentes dos incautos jovens que habitam este mundo, falo da maior expressão de sandice da humanidade, o nazismo.

O nacional-socialismo, movimento que teve como líder o inteligente e maníaco Adolf Hitler, agora ganha nova força ao redor do mundo, milhares de livros e revistas estão sendo editados para supostamente “esclarecer” as mentes dessa suposta ameaça, porém, o que se observa é que o número de publicações transcende as esferas do normal e do aceitável. Perdi as contas de quantas vezes vi o Mei Kampf nas livrarias,  é comum ver revistas que relacionam o nazismo ao ocultismo, fazendo que jovens se interessem pelo movimento pelo seu suposto misticismo. Não posso deixar de dizer que a segunda guerra foi um grande evento de magia negra, inspirados por pessoas que traíram o antigo movimento teosófico e geraram todo esse disparate mental que quase dominou o mundo regido por não-seres que estão dispostos a atrasar a evolução da humanidade que já é, em si, lenta e desordenada.

O Nazismo não tem nada a ver com escolas de mistérios, esse aleijão mental não tem em nada a ver com o sagrado ocultismo, porém, é comum e triste ver os nomes de verdadeiros iniciados como Madame Blavatsky ligados à doença que dominou o povo alemão pela metade do fatídico século XX. Blavatsky deu sua vida, cada gota de seu sangue e seu coração pelo Ideal da Fraternidade Universal e fico muito transtornado quando vejo seu nome relacionado a coisas extremamente negativas e infames como esse movimento. Ratifico, o nazismo é um movimento forte que ganha adeptos a cada dia pelo mundo, muitos são os jovens que têm se deixado dominar pelas fantasias desse pútrido e nojento sistema de pensamento.

Atualmente, é comum assistirmos filmes com personagens nazistas bonzinhos, até mesmo os membros da guarda pessoal de Hitler (SS) agora são mostrados como pessoas de boa índole, pelo menos alguns são vistos até como humanos. Mas, para mim, qualquer pessoa que condena, tortura, humilha e mata qualquer ser vivo pelo sentimento grotesco de suposta superioridade, não é humana e sim um títere de pensamentos mesquinhos e doentis.

Esse manifesto é um apelo às editoras, a todos aqueles que estão apoiando essa propaganda neonazistas, que parem o quanto antes a propagação deste câncer que encobre o mundo de um frio e sinistro sentimento. Devemos lutar, urgentemente, pelo sagrado sentimento de Fraternidade, a verdadeira Religião, e unir os homens e mulheres em torno de um sentimento elevado e forte. Religião nunca foi Catolicismo, Budismo, ou qualquer instituição religiosa. Inclusive muitos bons idealistas se tornaram ateus devido aos dogmas e as ideias disparatadas de algumas ordens que se dizem religiosas.

Para viver o Cristo, para viver o Buda ou as leis do antigo profeta Maomé, basta que deixemos de lado todas as nossa diferenças e pelo “sacro ofício” do ego nos unamos contra  essa antiga ameaça que circunda o mundo. Ao combate a toda forma de discriminação, segregação e proselitismo, um viva à Fraternidade Universal!

As Pedras…

28 28UTC Julho 28UTC 2009

Chamo-me Ricardo, tenho pouco mais de vinte anos, idade das grandes paixões, semelhantes às de Wether.  Mas  curiosamente não tive em mim as fantasias dos loucos e os desatinos de um homem apaixonado. Eu, como pessoa pensante e pulsante só tenho uma obsessão: as pedras. Vocês já pararam para pensar em como as pedras são engraçadas? Oras, mas me desculpe, leitor, eu não sou louco, até Fernando Pessoa achava graça nas pedras. O Fernando, louco? Mas quando, mania da sociedade chamar todo gênio de louco, se vocês não podem ser Sócrates, que se contentem em ser Paulo Coelho, oras, ninguém é perfeito, mas vamos voltar às pedras.

Drummond, por exemplo, soube valorizar o sentido das pedras, ele as musicou, mas creio que a palavra exata para o que ele fez seria transmutar. O poeta soube transmutar pedras em melodia, tirou delas o Sagrado Elixir,  Drummond encontrou a Pedra Filosofial e fez isso da mais singularíssima forma, trouxe à poesia a mística profunda da metafísica filosófica.  Ele sabia a graça que as pedras tinham, bastava sacudi-las e de lá saiam poesias, palavras que virariam sons, pedras que eram música,  só mesmo sendo poeta para entender isso, o poeta entende o essencial. Nós, que procuramos nossos sentimentos em superficialidades, nada mais somos que um homens procurando em plena luz do dia, e de lanterna em mãos, um homem honrado, para citar um cínico filósofo. Cito para vocês a poesia do mineiro de Itabira, poesia que foi criticada, pode?

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930
© Graña Drummond

Os poetas veem o majestoso em todas as coisas e nas pedras não poderia ser diferente, oras. Você as olha e elas sorriem de volta, e logo a gente se põe a pensar sobre o mundo, as coisas, a filosofia etc. Acho que sou pedra, daquelas que os meninos chutam pra lá e pra cá, que ficam de um lado para o outro. Sim, sou pedra itinerante. Imagine se seria uma pedra normal, negatofe. Tudo que é normal é triste, ou você é diferente ou é comum, imagine escrever a história de sua vida  de qualquer forma  e de caneta bic?  Isso sim é uma vida comum e ninguém quer uma vida qualquer, todos querem uma grande aventura e querem tanto que pulam de paraquedas e surfam em Boa Viagem, no Recife.

Lembram da História sem Fim? Aquele filme legal da infância do menino que sai voando no dragão da sorte Fuchur? Pois então, lá também tem uma pedra, uma pedra que come pedras, esquisito, mas não importa, o que merece destaque é que a pedra ajuda o heroi em sua saga para salvar a imperatriz menina. Viu? Pedras também podem ser heroínas. Duvido que você não conheça aquela historinha em que um homenzinho, pequenininho, baixote, ganhou o gigante com uma bela pedrada no olho. Aposto que sim, está lá no Grande Livro, basta consultar.

As pedras são sempre bonitas, mas existem aquelas de brilho tão intenso que estimulam a cobiça humana. A culpa não é das pedras, mas dos homens que cedem ao seu poder, se deixam levar pelos encantos, logo, infelizmente, seus corações obscurecidos tornam-se de ferro, sem graça e frio, acho que alguns corações humanos são a verdadeira medusa, mas daquelas que transformam tudo em ferro, em pedras não pode ser, esses narradores antigos não sabem nada, acham que deuses são humanos, oras.

Sabe, Eu gosto das pedras, me deixo encantar por elas, às vezes as ponho no bolso, as levo comigo para passear e ao final da tarde quando não tenho ninguém para conversar elas aparecem e me fazem companhia. Há sempre uma pedra no meio do meu caminho, mas eu não reclamo. As pedras para mim não são obstáculos, mas um universo a parte que quero descobrir ao final da tarde.

Ao final desse texto gostaria de apresentar um trecho do livro História sem Fim,de Michael Ende:

“- Calma, pequeno louco, rosnou o lobisomem. Quando chegar a sua vez de saltar para o Nada, você se transformará também num servidor do poder, desfigurado e sem vontade prórpia. Quem sabe para o que vai servir. É possível que, com sua ajuda, se possam convencer os homens a comprar o que não necessitam, a odiar o que não conhecem, a acreditar no que os domina ou a duvidar do que os podia salvar. Por seu intermédio, pequenos seres de fantasia, fazem-se grandes negócios no mundo dos homens, desencadeiam-se guerras, fundam-se impérios…”

Chamo-me Ricardo, tenho pouco mais de vinte anos, idade de grandes paixões, mas não daquelas de Wether, não, eu não tenho em mim as fantasias dos loucos e os desatinos de um homem apaixonado. Eu, como pessoa pensante e pulsante só tenho uma obsessão: as pedras. Vocês já pararam para pensar em como as pedras são engraçadas? Oras, mas me desculpe, leitor, eu não sou louco, até Fernando Pessoa achava graça nas pedras. O Fernando, louco? Mas quando, mania da sociedade chamar todo gênio de louco, se vocês não podem ser Sócrates, que se contentem em ser Paulo Coelho, ninguém é perfeito, mas vamos voltar às pedras.

Drummond soube valorizar o sentido das pedras, ele as musicou, mas a palavra exata para o que ele fez seria transmutar. O poeta soube transformar pedras em melodia, e da mais singularíssima forma, trouxe à poesia a mística profunda da metafísica filosófica. Ele sabia a graça que as pedras tinham, bastava sacudi-las e de lá saiam poesias, palavras que virariam sons, pedras que eram música, só mesmo sendo poeta para entender o essencial. Nós, que procuramos nossos sentimentos em superficialidades nada mais somos que um homem procurando em plena luz do dia, e de lanterna em mãos, um homem honrado, para citar um cínico filósofo.

Curioso é como os poetas veem o majestoso em todas as coisas, nas pedras não poderia ser diferente, oras. Você as olha e elas sorriem de volta, e logo a gente se põe a pensar sobre o mundo, as coisas, a filosofia etc. Acho que sou pedra, daquelas que os meninos chutam pra lá e pra cá, que ficam de um lado para o outro. Sim, sou pedra itinerante. Imagine se seria uma pedra normal, negatofe. Tudo que é normal é triste, ou você é diferente ou é comum, imagine escrever história a história de sua vida de qualquer forma e de caneta bic? Isso é uma vida comum, ninguém quer uma vida qualquer, todos querem uma grande aventura e querem tanto que pulam de paraquedas e surfam em Boa Viagem, no Recife.

Lembram da História sem Fim? Aquele filme legal da infância do menino que sai voando no dragão da sorte Fuchur? Pois então, lá também tem uma pedra, uma pedra que come pedras, esquisito, mas não importa, o que merece destaque é que a pedra ajuda o heroi em sua saga para salvar a imperatriz menina. Viu? Pedras também podem ser heroínas. Duvido que você não conheça aquela historinha em que um homenzinho, pequenininho, baixote, ganhou o outro com uma bela pedrada no olho. Aposto que sim, está lá no Grande Livro, basta consultar.

As pedras são sempre bonitas, mas existem aquelas de brilho tão intenso que estimulam a cobiça humana. A culpa não é das pedras, mas dos homens que cedem ao seu poder, se deixam levar pelos encantos, logo, infelizmente, seus corações obscurecidos tornam-se ferro, sem graça e frio, acho que alguns corações humanos são a verdadeira medusa, mas daquelas que transformam tudo em ferro, em pedra não pode ser, esses narradores antigos não sabem nada, acham que deuses são humanos, oras.

Sabe, Eu gosto das pedras, me deixo encantar por elas, às vezes as ponho no bolso, as levo comigo para passear e ao final da tarde quando não tenho ninguém para conversar elas aparecem e me fazem companhia. Há sempre uma pedra no meio do meu caminho, mas eu não reclamo. As pedras para mim não são obstáculos, mas um universo a parte que quero descobrir ao final da tarde.

Somos Folhas…

27 27UTC Julho 27UTC 2009

Sábado à tarde, volto à casa de meus pais que se encontra abandonada há anos. 26 de julho, aniversário de minha mãe. Onde será que ela está? Onde estão todos?  Outro dia  alguém disse  que os homens possuem memória para lembrar de quem são. O curioso é que cada vez que volto aos tempos de minha infância percebo que isso é a verdade, lembro que somos apenas folhas, folhas de uma mangueira…

O sol ainda é forte e bate na janela de meu antigo quarto, sinto o cheiro de lembranças agridoces, ouço o riso de crianças,  almas com antigas me rodam, almas que cheiram a alecrim. Abro as janelas devagar, as dobradiças estão  tão antigas e tão enferrujadas, corroídas como o meu coração.  A luz do sol  é  intensa e  forte, uma energia agradável que não queima, reconforta.

Diante de mim está o quintal sujo, esquecido, com monte de trecos antigos por todos os lados, vejo uma bolinha, era de Aquiles, alguns brinquedos encobertos pela poeira. Quanto tempo! E tudo estava ali, o esqueleto do meu passado. Demoro a perceber, mas  sinto que algo se mantém de pé em meio às sombras, da mesma forma como a deixamos, ainda bela e cheia de vida: a pequena mangueira. Ao olhar para ela não consigo resistir, fecho meus olhos, deixo-me levar pela nostalgia, o vento chicoteia as folhas produzindo um som agradável, eu começo a sorrir, tenho novamente 13 anos.

Olho em volta, meus pais e meu irmão caçula, ele brinca com Aquiles, nosso cachorro que tinha naquela época oito anos, minha mãe vem sorridente com um presente em mãos, ela  me abraça e diz que me ama e pede que abra o presente. Sinto aquele momento, meu  coração sobressaltado e ansioso, rasgo agressivamente a embalagem, e o que vejo faz de mim naquele momento uma pessoa menos amarga: um livro de Fernando Pessoa. Meu pai  olha e percebe minha alegria, não diz nada, apenas me abraça daquele jeito que pai abraça, meio sem graça, mas com toda ternura do mundo.

Ruborizado olho para fora, lá está a mangueira, alguns pássaros pousam sobre seus galhos ainda novos, o quintal não é mais o quintal sujo e meu irmão joga a bolinha para Aquiles pegar, eles se divertem e eu também, corro atrás dele, a gente ri um bocado, meu irmão vai ate a torneira, enche um copo de água e me joga, a gente se diverte, Aquiles tem um sorriso de uma criança, talvez um irmão menor, quem sabe… O quintal é a alegria e a vida de toda e qualquer criança.

Mergulho ainda mais em minhas lembranças, o tempo passa e me vejo sentado ao pé da mangueira, sou um professor e leio meus livros literários, minha mãe ainda está lá, mas meu pai não está mais, foi há um certo tempo, mas ele ainda vive no coração dela. Meu irmão chega do trabalho, já é um homem e agora uma pessoa séria e responsável, já não brinca mais, já não tem mais a ternura de um irmão menor, agora é um adulto e os adultos são sempre chatos.

Meu aniversário novamente, minha mãe prepara um bolo, mas só estamos eu e ela, meu irmão foi embora, viajou, casou e pelo que parece somos um fardo a ele. Vejo minha mãe envelhecer anos a fio, envelhecer de tristeza, meu pai se foi… Lá fora está a mangueira, parece sempre a mesma, é engraçado que as árvores crescem, mas estão sempre mais novas…  Os pássaros não são os mesmos de antes, mas cantam da mesma forma…

Eu estou tão sozinho, agora completamente só, meus amigos vem me visitar de vez em quando, mas é ruim quando não há ninguém para dizer “deus te abençoe”, é triste quando não há ninguém para amar. Um novo dia se aproxima, conheço alguém, minha vida muda, como tudo e qualquer coisa na vida, somos folhas…

Dois anos depois daquele final de tarde, tarde de lembranças,  meus filhos estão brincando no  antigo quintal,  todo limpo e agora com um belo jardim. Zoroastro, o cachorro, é o mais afoito de todos, estamos todos felizes. Olho em volta e vejo Aquiles, vejo minha mãe, meu pai, meu irmão, estamos todos ao pé da mangueira tirando uma fotografia que ficaria impressa em minha alma por toda vida. Desperto dos meus devaneios vejo meus filhos a me chamar para brincar, eu vou, Zoroastro sorri, enquanto meu filho faz um belo gol…