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A Pequenina que acreditou no Sapo

13 13UTC Junho 13UTC 2009

O presente pode não vir na hora, mas quando vem, chega na hora certa. Esse foi meu pensamento de hoje, em relação ao dias dos namorados. Meu maior presente foi ela, a menina da franja pendida ao lado, do sorriso pontual, como diz o Chico, nosso compositor predileto, a menina que é eternamente responsável por mim, que me cativou e tornou-me feliz. O seu nome? Pequenina.

É verdade, eu não sou um namorado exemplar. Às vezes estou mais para cavalo educado, certamente, do que para um príncipe, mas não chego a ser um sapo, vocês conhecem a história, não é? Não?! Eu faço questão de recordá-los.

Conta a lenda que uma menina, ao andar com sua bolinha de ouro perto do rio, deixou-a cair.  Demasiadamente triste, ela não sabia o que fazer, mas eis que chega um sapo e pergunta o que houve, ela relata tranquilamente o fato, ele, então, propõe uma solução: pegar a bolinha em troca de uma vida a dois com a menina. Ela faz seu pacto com sapo não muito feliz que, prontamente, mergulha em busca da bolinha de ouro. Não demora muito e ele a encontra, a menina da franja pendida fica maravilhada, agradece e esquece o sapo. Esse não fica muito satisfeito, vai atrás da menina em seu castelo, ela não gostando nada resolve jogá-lo contra um dos muros do castelo e para a surpresa dela, dos guardas e minha, o narrador, sai da cabeça do sapo um belo príncipe.

No outro dia, já em sua carruagem, o príncipe percebe que seu cocheiro está com o coração preso a um cadeado e quando eles estão voltando à terra do príncipe o cadeado se rompe, um imenso “bang!” soa a fazer com que o príncipe pule para ver o que sucede, pergunta ao cocheiro que diz: – vivíamos sobre a sombra de uma maldição e enquanto o senhor não voltasse viveríamos presos as amarras do egoísmo e do eterno sofrimento, agora estamos livres, a maldição foi quebrada.

Acho que todos entenderam o que eu quis dizer. O Sapo simboliza o príncipe que não quis crescer, e a menina simboliza a mulher que quer ser eternamente criança. Quando ela o atira na parede o livra da maldição, eles se casam e vão ser felizes. Acho que a Pequenina fez o mesmo comigo: atirou-me à parede. O que saiu de lá não foi exatamente um príncipe, mas uma pessoa melhor, mais madura, menos amarga. Não vou dizer que sai uma poesia, porque os leitores podem pensar que não era sapo coisa nenhuma, mas uma gazela. Mas deixando de lado as fantasias, podemos pensar que essa historinha boba, simples, esconde um fato muito interessante: há pessoas que por medo de ser o que nasceram para ser simplesmente se tornam sombras de si mesmas.

Não era uma pessoa muito feliz no tempo em que comemorava o dia dos meus anos, não era feliz em coisa nenhuma, antes da Pequenina só tive amores fracassados, verdadeiros embustes que mais pareciam com uma ânsia psicológica. Está certo, tive momentos ótimos, mas sempre me sentia só, vivendo algo sozinho, ou então, eram namoros adolescentes, em que havia certa dependência de alguém que nunca estava lá, quando estava, se encontrava ausente, inclusive no MSN.

Quando ela chegou, a Pequenina, tudo mudou e mudou pela razão simples de ser belo, mais nada. Explico, não me sinto só, vocês entendem isso? Eu ando por qualquer lugar do mundo e sinto que há alguém do meu lado, a segurar minha mão, a dizer que posso ir em frente, que posso lutar contra os meus moinhos de vento. Isso é bom de sentir. Há relacionamentos em que as pessoas se sentem, extremamente, sós. Não há cumplicidade, somente a solidão a dois.

Atualmente, não me sinto assim. Sinto-me divinamente feliz, não exageradamente feliz, acho que é equilíbrio. Sabe aquela coisa que quando mais estica mais equilibrada fica? Pois então, acho que somos tão extremos, tão diferentes e parecidos que temos em si um equilíbrio estranho, somos bêbados equilibristas, nos amamos e somos felizes, sem ter medo de nada. Seguimos em frente, até quando não sei, mas acho que por umas eternidades, talvez. Obrigado, amor, por ser a princesa que me jogou contra a parede. Obrigado por ser aquela que soube ver mais além em um coração de sapo.