Ontem, com o anuncio realizado pela FIFA acerca das cidades que seriam as sub-sedes da Copa do Mundo de 2014, o Pará, desgraçadamente, parou. Manaus levou o título, com todo mérito, e será a capital amazônica do evento, enquanto que a maior parte da sociedade paraense (a mais pobre) irá assistir à Copa pela televisão. Não se pode criticar a avaliação feita pela FIFA, ela foi justa (será?), mas o que nos faz parar e refletir (todo paraense deveria refletir acerca disso) é por que nosso estado sempre fica para trás em tudo que é bom e na frente de tudo que é ruim, digo novamente, TUDO?
Os relatórios feitos pelo IDEB, em 2007, revelaram que somos a quarta pior educação do país e que em 15 anos não iremos chegar próximos aos outros estados (que também se mostra muito deficiente). A educação em nosso estado está morta há muitos anos e o reflexo disso se faz presente em nossa sociedade apática, desfigurada e medíocre que se deixa levar por um punhado de promessas infames de mudanças que nunca acontecem. Temos depositado nossas esperanças em grupos que jamais se interessaram pelo coletivo, mas sim em atender seus sistemas de interesses mesquinhos e egocêntricos apoiados em uma demagogia intelectual barata, covarde e senil.
Somos a capital mais insegura do país. Belém, atualmente, deve ser a capital mais violenta em termos de homicídios e crimes contra o patrimônio público. Basta ler os jornalecos locais (por demais tendenciosos), para ver o espargir de sangue para todos os lados. Os crimes são os mais infames, os criminosos raramente punidos e as vítimas abatidas como animais, sem direito à defesa, e expostas ao mais indecente sensacionalismo e a falta de compromisso ético dos periódicos da cidade que se preocupam em faturar, em vender, e jamais com a qualidade do produto.
Nossa saúde também vai mal. Basta recordar os casos da Santa Casa de Misericórdia e dos agonizantes do Pronto Socorro da 14 de março. Não há médicos e quando há são mal remunerados, ou sobrecarregados, os pacientes desfilam aos trapos pelos corredores dos hospitais, mostram suas chagas, não apenas físicas, mas morais de um estado que trata os seus doentes como animais que esperam, pacientemente, pelo melhor: a morte. Sim, pois o pior já sentem na carne: o esquecimento.
Os exemplos são sempre inúmeros quando se demonstram as deficiências deste estado, do meu estado, que é vergonha nacional para o mundo e para o país: a pior qualidade de vida, o pior índice de desemprego, o aumento do mercado informal, da criminalidade, da falta de oportunidade, da miséria coletiva. Belém tem quase 50% da sua população vivendo abaixo da linha da pobreza, até pouco tempo, tínhamos a maior favela plana do país: o Paar.
Mas não acho que isso seja o principal problema deste estado, não acredito que seja apenas irresponsabilidade política, acredito que os principais responsáveis por tudo somos nós, que não cuidamos daquilo que nos foi dado com carinho. Um lugar que deveria ser maravilhoso aos olhos de todos e não o é por causa da nossa omissão, por este sentimento de vergonha de nascer aqui, muitas são as pessoas que não assumem quando saem do estado sua origem, preferem esconder, pois se sentem inferiores.
Nossa baixa-estima regional é estúpida, mas real. Não defendemos nossa cultura, nossos valores, sempre achamos que o que há de melhor é o de fora, não defendemos o que é nosso, mas aceitamos com passividade as críticas que nos são feitas. Duvido que você vá a outro estado e que o deixem criticar livremente a cidade em que você é o visitante. Não , não deixam, porque sentem orgulho de onde vivem, tem amor pela sua gente, pela sua cultura, não tem vergonha, como nós que, afinal, reclamamos do quê se nós mesmos não cuidamos daquilo que é nosso?
Enquanto isso, olhamos a banda passar, o tempo passar, e tudo passar com um sentimento de nostalgia pelo que nunca foi e pelo que, talvez, nunca será…
Obs. Creio que ficou evidente que o objetivo desta postagem não foi de criticar a decisão da FIFA, pois não há conhecimento do autor quantos aos critérios avaliativos e pela razão de sabermos que foi mais uma decisão política do que técnica, com interferência da Coca-cola e até mesmo de grandes políticos da esfera nacional. O meu objetivo foi falar acerca de alguns problemas de nossa região, alguns, pois são muitos e muito bem evidenciados pelo Jornal Pessoal e por outros links da blogoesfera. Cabe a nós a decisão única de refletir e cuidar de nosso lugar comum, além de tratar com maior severidade a incompetência política paraense.