Conta-se que desde os tempos imemoriais o universo é guiado por uma força trinária composta de três elementos dados aos homens pelos deuses. Esses elementos são a base da organização do universo, do equilíbrio das forças, da disposição lógica de tudo que existe. Durante vários períodos da história da Humanidade esses três elementos se apresentaram a nós em forma de deuses, sempre em uma trindade, como, por exemplo, no antigo país de Kem, o Egito, em Osíris, Ísis e Hórus, na Índia em Brahma, Vishnu e Shiva e na mitologia cristã em Pai, Filho e Espírito Santo. Tais elementos são representados pelos nomes de Vontade, Amor e Inteligência.

Em todos os lugares e tempos temos a manifestação dessas três potências, não quero me ater a nomes esotéricos, nem fazer referência a sagrada hierarquia que rege o nosso sistema solar. Quero apenas ressaltar, neste breve postulado, que podemos ver a manifestação desses três elementos em todos os lugares e neste caso, em especial, na insólita história da filosofia alemã.
Apenas gostaria de dizer aos leitores que não estou a propor nenhuma heresia, a comparar filósofos com deuses, não se trata disto, o que gostaria de apresentar como fundamento de minha tese são os fatores do pensamento de três grandes filósofos alemães, os quais, para meu entendimento, abordaram os temas da Vontade, do Amor e da Inteligência de forma singular e tão interessante que cabe aqui algumas reflexões acerca do pensamento destes grandes pensadores. Seus nomes são Arthur Shopenhauer, Friedrich Nietzsche e Immanuel Kant.
Mas, por que os considero como uma filosofia trinaria? E Qual seria a relação existente entre esses três filósofos?
Vamos começar pelo adorador de poodles: Shopenhauer. Para ele a vontade seria o princípio fundamental da natureza, uma força poderosa, que não se submeteria as leis da razão. Para o filósofo o real é apenas uma representação de uma essência maior, em verdade, o real é cego e irracional, sendo que a vontade seria a representação da coisa-em-si, raiz metafísica de toda a realidade, o inconsciente, como força maior e avassaladora.
Como Shops (intimidade) tinha em casa uma estátua do Buddha, basta ler algumas considerações sobre sua obra para ver pequenos e grandes conceitos orientais. O certo é que para ele a Vontade era uma força criadora, enquanto que os aspectos racionais seriam “A mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior, mas apenas a crosta”.

Passamos do primeiro filósofo e seus conceitos de Vontade e representação. Agora vamos ao nosso segundo pensador, aquele que sofria de ataques estomacais terríveis, e que trouxe ao mundo uma revelação: a de que Deus, no sentido como o vemos, de forma racional e pequena, está morto. O fato é que seus escritos sobre o amor são não apenas de uma beleza particular, mas revelam traços de seu caráter meigo e terno tão desconhecido e esquecido.
Para Nietzsche o amor era uma experiência de alegrar-se com o crescimento alheio, algo que existia para além do bem e do mal. Ele sabia que o amor é uma energia que está para além dos pares de opostos e enxergava neste mundo apenas representações ilusórias de uma essência maior. Friedrich sabia que o amor como fator de crescimento implica dor e sofrimento, desejava aos seus amigos as maiores dificuldades do mundo, pois sabia que com elas se tornariam mais fortes, mais tenazes e então encontrariam a felicidade.
O Amor enfim é força que rejuvenesce e que faz de nós humanos através do constante crescimento, assim era para Nietzsche, deveríamos refletir sobre esses conceitos acerca do amor, pois hoje ele é tão somente visto como algo ligado ao prazer imediato, sendo que a dor seria algo bem distante de tal sentimento.

O terceiro, e não menos importante filósofo, é nosso caro Immanuel Kant. O homem que era tão pontual em seus passeios às três da tarde que as mulheres acertavam o relógio quando o viam passar. Kant é a razão encarnada e expressa com clareza e exatidão suas teorias em fundamentações lógicas e bem construídas. Segundo Kant a razão tem uma natureza própria e assim é capaz de interpretar o mundo para, por fim, criticá-lo.

Kant encerra nossas breves considerações acerca deste tema. É certo que Nietzsche abordou os temas da Vontade que inclusive foram utilizados pelo escuso sistema nazista que aplicou sua forma de pensamento em conceitos totalmente distorcidos do original. É certo também que Shopenhauer tinha como seu mestre Kant, e procurou fazer uma leitura de sua obra, para por fim montar sua própria filosofia, o que revela que suas teorias estavam indissociavelmente ligadas.
Sendo assim, os sentimentos de Vontade, Amor e Inteligência refletem no homem de diversas formas segundo nossos amigos filósofos e basta que nós, com o tempo, passemos a enxergar tais potencialidades divinas para fins de crescimento equilibrado, mútuo e constante.
Namaskar.