Posts de Janeiro, 2009

Machado de Assis em preto e branco

25 25UTC Janeiro 25UTC 2009

Ontem, 23 de janeiro de 2009, assisti ao vídeo acima promovido pela TV escola sobre a exposição realizada no museu de Língua Portuguesa em Sampa a homenagear nosso mais ilustre escritor: Machado de Assis. Maravilhado com a intensa pesquisa que foi realizada e com todas as riquezas de detalhes me vi chocado ao ver várias fotografias a retratar “vários Machados”, isto pela razão de que as alternâncias das cores do escritor fluminense variavam bastante, pois em uma ele era apresentado como negro e em outras como branco. Alguns leitores vão chiar e perguntar o que isto tem a ver, que branco ou negro ele era fantástico. Sim, concordo com vocês, mas qual o discurso por detrás desta mentira?

A verdade é que Machado era mulato, neto de escravos, gago e epilético nascido no Morro do Livramento. Fato curioso é o de terem posto em seu atestado de óbito a natureza caucasiana que não lhe era própria. Mas não era a primeira vez que havia visto aquela representação “fake” do Bruxo do Cosme Velho, pois em vários livros didáticos aparece a figura de Machado “branquinho”. Fico a me questionar a razão destes falsetes, será que a elite brasileira está tentando esconder suas raízes e demonstrar que se incomoda com o fato de ter como seu maior escritor um mulato?

machado-de-assis

Gostamos de negar nossas origens africanas. Nos atestados de concurso é comum você observar as pessoas colocarem pardo e até branco ao invés de negro, como são. Não sei o motivo já que os negros não apenas são parte de nossa rica miscigenação multi-identitária, mas também são a pedra angular no processo de formação do Brasil. Nossa língua, por exemplo, é repleta de vocábulos originados do Banto e do Yorubá, além de outras línguas africanas, além disso milhares de negros desembarcaram no Brasil (arrancados de seus lares de origem para serem escravizados aqui) e estando nesse país cobriram com suas cores e seu brilho forte nossas origens e hoje são parte fundamental de nossa identidade cultural. Por que negá-las?

Machado apesar de todos os desafios que uma sociedade excludente e preconceituosa se lhe apresentava soube, como nenhum outro em nossa curta história (ou estória?), vencer tais desatinos da sociedade para brilhar como um dos fundadores da ABL (primeiro presidente da instituição) e ser o maior escritor brasileiro de todos os tempos, além de escritor reconhecido, lido e discutido internacionalmente.

É certo também, no dizer dos críticos, que Machado de Assis não deu importância para importantes movimentos sociais como a abolição da escravatura, por exemplo, e que passou longe do nacionalismo. Se for verdade é, para mim, seu admirador, uma triste nota em sua bela biografia. Mas, não estou a discutir isto, enfim.

O que estou a perguntar é a razão de negar o fato de Machado ser negro e brilhante? O que há por detrás deste discurso maldoso e infame que deve ser expurgado de toda mentalidade sã? Para os leitores pode parecer algo simples, mas não é. Não podemos negar quem somos. Não podemos dizer que apenas as pessoas caucasianas são brilhantes e comungar com teorias bizarras próprias de um período bizarro em que o nazismo e o fascismo pregavam a teoria da raça superior. Não podemos deixar mais uma vez uma elite dominante e excludente nos enganar com um discurso que soa próprio da mentalidade hitlerista. Estou a ser radical? Não creio, apenas fico a imaginar os motivos deste despautério.

machado-de-assis2

Fazendo uma digressão Machado me faz a lembrar a história de um grego gago que para vencer seu “problema” declamava poesias com pedras na boca a correr as montanhas da Grécia, reza a lenda que não apenas se viu curado, como também se tornou um dos maiores oradores gregos e a história não nos deixa de apresentar exemplos de pessoas que superaram suas limitações e foram em frente.

Machado de Assis tinha em si todas as dificuldades do mundo, mas fez disto uma oportunidade  o que fez dele o maior dentre seus pares, pois conseguiu vencer todas as intempéries para atingir o status de universalidade que será, para sempre, seu. Portanto, meus caros, não podemos negar a história deste grande homem e pintá-la com cores que nos parecem menos incômodas (para alguns). Devemos contá-la e nos orgulhar dela, esquecer este discurso estranho de que somente uma classe dita superior é que pode galgar as escadas da genialidade, todos temos potencialidades de conquistar grandes feitos. A Machado de Assis meus sinceros agradecimentos por fazer de nossa Literatura universal e respeitada em todos os cantos do mundo.

Um longo dezembro…

17 17UTC Janeiro 17UTC 2009

“E a sensação de que tudo isso são ostras,mas sem as pérolas”

(A long december, Counting Crows)

Aprendi a observar a beleza do Amor. Ao andas pelas ruas da cidade avistava os casais e como achava belo, todos de mãos dadas a caminhar pelas praças, ao olharem-se perdidos em si mesmos, eu fechava meu livro de poesia, aqueles momentos eram como poesia viva de manifestação do sentimento mais puro que existe. Todo grande amor começa com uma paixão, pois creio que é difícil sentir amor de imediato, amor é construção, desafio de sacrificar algumas coisas em benefício de ambos, amar é sentir todo o perfume da flor.

Como a música acima, todos querem a sua pérola, aquela pessoa com quem você irá conviver para dividir uma vida. É como garimpar em um deserto, como encontrar um tesouro escondido e para alguns é uma verdadeira busca ao Graal. Eu sentia isso, uma busca a algo que não existia, relia meus bilhetes de relações decepcionantes do passado, promessas que se esvaziaram com o tempo, passei a considerar que o amor era nada mais que temporalidade objetiva, passageira.

Em todos os lugares escutamos a palavra Amor, falamos o tempo todo em viver um grande amor, a maioria das músicas, dos bilhetes escritos com sangue, dos desatinos envolvem o conceito do que seria amar. Mas o amor não tem nada a ver com a loucura, o amor é como um lago calmo em que repousa sobre si a mais bela flor. Esvaziamos a palavra Amor, nós o tornamos um sentimento passional e dizemos: “matei por amor”, quando você deveria viver para amar.

Durante um tempo as decepções infelizmente pesavam sobre as costas, deixei de me impregnar com qualquer energia que levasse meu coração à sensação inebriante de amar. Era como se tivesse posto meu coração e minha esperança em uma redoma, tal como o conto da Bela e a Fera. A cada dia me tornava mais insensível, mais indiferente aos sentimentos, e permaneci adormecido por um longo inverno e hoje eu sinto que estou feliz, que encontrei o grande amor da minha vida, e ela trouxe apenas um sorriso para que a rosa deixasse de morrer.

Pode não durar, pois é própria da alma a mudança desatinada, mas cada momento que vivo com meu amor é um sentimento de eternidade.

Sinto-me até mais novo, uma energia me rejuvenesce, não preciso olhar todos os dias, apenas permanecer conectado aquela maravilhosa sensação e sentir que em qualquer lugar, onde eu estiver alguém aposta em mim e acredita no meu coração, não sei se alguém entende isso, mas acho que amaria essa mulher por duzentos anos, embora ela não acredite muito, talvez porque não acredite no coração maravilhoso que tem.

Foi um longo dezembro, mas agora estás aqui. Obrigado, amor.

Drogas? Jamais! *

16 16UTC Janeiro 16UTC 2009

Eu comecei queimando CRACK, uma pedrinha mágica, duns efeitos que me levava às alturas, de vez em quando eu também cafungava a COCAÍNA, aquele carreirão, tudo de uma vez dentro do meu corpo, meu nariz sangrava, a alma também, mas eu gostava, quando eu pegava pesado eu relaxava, passava para a COCA com CIGARRO, ficava a olhar o mundo, vista enevoada, triste, não enxergava mais nada, apenas um brilho tênue, tudo era sempre opaco, os sorrisos eram sempre gritos de desespero, estridentes, gritos de socorro, mas nós gostávamos, festinhas eram nosso ÓPIO.

Depois de um tempo minha mente começou a fazer CRACK estava em frangalhos, despedaçada, cacos de uma senilidade inexistente, estilhaçada em mil nacos de desesperança. Mas alguém gostava, então tomava um CAFÉ, meu corpo já não era meu, eu já olhava no espelho alguém que talvez conhecesse, os olhos eram sempre sombreados por um tom perdido, vago, impreciso, doentio. Às noites, sempre angustiantes, com aquele tom cinza-negro, eram alegradas com gotículas de ANSIOLÍTICOS. Era uma fuga para um desespero maior.

Aplicava algumas injeções de ânimo, mas não adiantava, eu estava em um poço que era infinito em seu caminho para cima, bastava vaguear em meus pensamentos e o poço se afunilava, estava morrendo, no gerúndio, processo lento, gradual, PROCESSO, a morte pode ser misericordiosa quando não há mais vida.

Esperava em ECSTASY o fim, após ter diluído todos os meus sonhos em combinações químicas esperava ao menos o anonimato de ser mais um, mas não, havia pessoas que me amavam demais e eu não era anônimo para elas, mas que se danem esses XAROPES, vou caminhando, caminhando para trás, deixando toda a felicidade à minha frente, vou abrindo meus olhos, mas os outros já se fecharam em sono eterno, agora sigo meu pesadelo em morte, apenas uma sombra, escura e fria, viciada em destruir VOCÊ.

NÃO ESTILHACE SEUS SONHOS, DÊ UMA OPORTUNIDADE PARA SI DE FELICIDADE: DROGAS? JAMAIS!

Obs. Eu não uso drogas, usei um exemplo ilustrativo de alguém dominado pelo vício e que destroi a si pelo prazer doentio de envenenar a alma. Respondo assim já que o texto pode soar de um efeito duvidoso. Em verdade todos meus textos são experimentais e se são ruins ou bons não importa muito para mim, o que interessa é continuar tentando.

* Eu não sei dar títulos adequados aos textos. (risos)