Ontem estive em sala de aula, desta vez como aluno, a ouvir as mensagens sobre educação e construção de uma sociedade coletiva, cooperativa em que todos fossem críticos-participativos e atuantes como arquitetos deste projeto de um país e um mundo melhor. Ao final da aula a profa. pediu que criasse um texto ressaltando as devidas qualidades de nossos colegas presentes que expressaram em uma palavra seus incríveis tesouros que moravam em seu interior. Aqui reproduzo mais ou menos o texto que escrevi, pois o original ficou emprestado.
Immanuel Kant, filósofo alemão, costumava ressaltar em suas afirmativas categóricas e racionais que o ser humano, em essência, era bom. Pois vou mais além de Kant, digo que não apenas o ser humano é bom, como é cheio de tesouros guardados em seu coração. Cada um de nós traz em si algo de especial, que nos faz diferentes uns dos outros, não digo diferente no sentido negativo que comumente a palavra tem, mas no sentido de que somos o complemento um do outro, como o símbolo chinês do Yin e Yang. Esses tesouros são chamados por nós de qualidades.
Qualidade é uma palavra intigrante, vem do Latim, língua morta (será?) que era falada na antiga Roma, e significa “Fazer a diferença”, pois todos temos em si um valor que faz a diferença no mundo, e no mundo das pessoas as quais convivemos. A verdade é que os deuses nos criaram para que fôssemos tais como eles, ou até melhores, e portanto, deixaram-nos com os verdadeiros superpoderes que fazem com que nos tornemos super- heróis em algumas situações.
Vejam o exemplo do caramujo, aquele bichinho feio e gosmento, que carrega aquele fardo pesado, porém ele possui os olhos sempre mais além, para os egípicios ele era o símbolo da intuição. Temos pessoas assim em todos os lugares, visionárias, sonhadoras, que enxergam um mundo diferente do nosso, tem aquela capacidade de vislumbrar o futuro, dotados desta capacidade são quase sábios e engenheiros projetam o futuro de acordo com suas premonições.
Porém, nem de sonhos vive o homem e para controlar nosso mundo de fantasias nós temos aquelas pessoas que são sempre a representação do centauro, aquele ser mitológico que é parte homem e parte cavalo, dizem que era o símbolo do poder da razão sobre as emoções. Nós também temos este tipo de pessoas, em todas as partes, são às vezes até chatas, querem controlar nossos anseios sonhadores (sim, eu sou um caramujo), sempre com os pés no chão, pragmáticas e a mostrar que a vida também é realidade, são nossas pontes para o mundo real.
Temos também aquelas pessoas que nos lembram o antigo símbolo da iniciação egípcia: o kefer. É aquele besouro que sempre está em algum templo sagrado, dizem que o besouro é pesado, lento, mas que quando lembra que pode voar, vai tão alto que ninguém consegue alcançá-lo. São aquelas pessoas que não apenas sonham, mas que podem voar tais como as águias, e conseguem superar todos os seus desafios, olham diretamente para o sol, para a luz, nunca ficam cegas e sempre atingem seus objetivos. Estas eu admiro, são sábios, e tais como os rios passam tranquilamente sobre seus obstáculos, sem resistência, sem força, apenas com a naturalidade.
Por fim, o último tipo de pessoa, não é que não existam mais, a infinidade de características humanas não permite em um blog um livro, mas um texto curto (e este está ficando longo demais), são aquelas pessoas que encantam nossos corações sobressaltados com suas gargalhadas, com seu humor, com aquela ternura própria das crianças que anseiam por brincar sempre, aliviam as tensões naturais que costumam fazer de nós (as tensões) títeres de um mundo insano. Poranto o mundo não se constitui apenas de sonhos, de realidade e de superação de desafios, mas também é uma gostosa gargalhada em meio a tensão da realidade.
Namaskar.