Posts de Dezembro, 2008

Fazer a diferença

18 18UTC Dezembro 18UTC 2008

Ontem estive em sala de aula, desta vez como aluno, a ouvir as mensagens sobre educação e construção de uma sociedade coletiva, cooperativa em que todos fossem críticos-participativos e atuantes como arquitetos deste projeto de um país e um mundo melhor. Ao final da aula a profa. pediu que criasse um texto ressaltando as devidas qualidades de nossos colegas presentes que expressaram em uma palavra seus incríveis tesouros que moravam em seu interior. Aqui reproduzo mais ou menos o texto que escrevi, pois o original ficou emprestado.

Immanuel Kant, filósofo alemão, costumava ressaltar em suas afirmativas categóricas e racionais que o ser humano, em essência, era bom. Pois vou mais além de Kant, digo que não apenas o ser humano é bom, como é cheio de tesouros guardados em seu coração. Cada um de nós traz em si algo de especial, que nos faz diferentes uns dos outros, não digo diferente no sentido negativo que comumente a palavra tem, mas no sentido de que somos o complemento um do outro, como o símbolo chinês do Yin e Yang. Esses tesouros são chamados por nós de qualidades.

Qualidade é uma palavra intigrante, vem do Latim, língua morta (será?) que era falada na antiga Roma, e significa “Fazer a diferença”, pois todos temos em si um valor que faz a diferença no mundo, e no mundo das pessoas as quais convivemos. A verdade é que os deuses nos criaram para que fôssemos tais como eles, ou até melhores, e portanto, deixaram-nos com os verdadeiros superpoderes que fazem com que nos tornemos super- heróis em algumas situações.

Vejam o exemplo do caramujo, aquele bichinho feio e gosmento, que carrega aquele fardo pesado, porém ele possui os olhos sempre mais além, para os egípicios ele era o símbolo da intuição. Temos pessoas assim em todos os lugares, visionárias, sonhadoras, que enxergam um mundo diferente do nosso, tem aquela capacidade de vislumbrar o futuro, dotados desta capacidade são quase sábios e engenheiros projetam o futuro de acordo com suas premonições.

Porém, nem de sonhos vive o homem e para controlar nosso mundo de fantasias nós temos aquelas pessoas que são sempre a representação do centauro, aquele ser mitológico que é parte homem e parte cavalo, dizem que era o símbolo do poder da razão sobre as emoções. Nós também temos este tipo de pessoas, em todas as partes, são às vezes até chatas, querem controlar nossos anseios sonhadores (sim, eu sou um caramujo), sempre com os pés no chão, pragmáticas e a mostrar que a vida também é realidade, são nossas pontes para o mundo real.

Temos também aquelas pessoas que nos lembram o antigo símbolo da iniciação egípcia: o kefer. É aquele besouro que sempre está em algum templo sagrado, dizem que o besouro é pesado, lento, mas que quando lembra que pode voar, vai tão alto que ninguém consegue alcançá-lo. São aquelas pessoas que não apenas sonham, mas que podem voar tais como as águias, e conseguem superar todos os seus desafios, olham diretamente para o sol, para a luz, nunca ficam cegas e sempre atingem seus objetivos. Estas eu admiro, são sábios, e tais como os rios passam tranquilamente sobre seus obstáculos, sem resistência, sem força, apenas com a naturalidade.

Por fim, o último tipo de pessoa, não é que não existam mais, a infinidade de características humanas não permite em um blog um livro, mas um texto curto (e este está ficando longo demais), são aquelas pessoas que encantam nossos corações sobressaltados com suas gargalhadas, com seu humor, com aquela ternura própria das crianças que anseiam por brincar sempre, aliviam as tensões naturais que costumam fazer de nós (as tensões) títeres de um mundo insano. Poranto o mundo não se constitui apenas de sonhos, de realidade e de superação de desafios, mas também é uma gostosa gargalhada em meio a tensão da realidade.

Namaskar.

O Cachorro Amigo

18 18UTC Dezembro 18UTC 2008

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Lembro daquelas tardes

Debaixo da mangueira

Sentado em um banquinho

ao ler um livro,

te observava cansado de tanto correr

Dormindo feito um pequenino,

De súbito acordavas e querias brincar,

Eu Jogava a bolinha e você ia atrás,

Por quantas e infinitas vezes disparavas

A mil em busca do teu brinquedo

Depois, já novamente fatigado e

Com o bigode encharcado e sujo de terra

Eu te levava pra dentro,

você dormia e eu olhava

com um olhar pidão

já não era mais um dono vendo o seu cão

mas um amigo, vendo o nascer de um novo irmão.

Mais Devaneios

4 04UTC Dezembro 04UTC 2008

Gostaria de poder andar por aí, sem aquela preocupação habitual dos seres comuns, sem os pensamentos enlouquecidos e os arroubos da alma, só queria poder brincar com meus pensamentos, não fazer deles simples parágrafos, mas aforismos, anedotas enigmáticas de um coração doente, se ao menos pudesse definir algo, o que fosse, se houvesse em mim apenas uma verdade qualquer, uma certeza, talvez ainda houvesse um pilar de sustentação, entretanto minha razão desvaneceu, desataram-se os nós da consciência, tudo virou bolha de sabão, se houvesse a certeza de algo…

(Aquiles, Devaneios)

Hoje estive a andar de ônibus pela pequena metrópole amazônica, folheei o diário de notícias de nossa capital, senti que em alguma parte de meu corpo respingava o sangue das anedotas policiais, contadas por pessoas definitivamente sádicas, as fotografias, aqueles retratos da realidade, algo me fazia sentir mal ao olhar aquelas páginas, havia um discurso insano por detrás daquelas linhas:  de que o ser humano era um lixo. Saio do transe hipnótico macabro das notícias, olho a frente, um homem entregava seus bilhetes aos passageiros, o texto era um apelo desesperado o que para alguns soava cômico. Eu observava, anotava em meu pensamento todos aqueles detalhes, o texto dizia algo mais ou menos assim:

“Sou fulano de tal, infelizmente devido a um problema de trabalho uma perna manca despencou de certo lugar e esmagou meu crânio, perdi a fala e hoje tomo remédios controlados, tenho família, me ajude, deus te abençoe”.

Perdoem a falta de detalhes, mas eu estava mesmo interessado na reação dos passageiros, alguns não acreditavam, suspiravam comentários de que deveria ser algum bandido que por alguma eventualidade da vida de crimes acabou por estar naquela condição, outros se condoeram, doaram suas moedas, suas migalhas, em um sentimento que revelava mais uma empáfia maldita do que compaixão real, eu não dei um tostão, depois fiquei com dor de consciência, e se estivesse em situação semelhante?

Não sei exatamente o que me fez tomar a atitude que fora reprovada certamente pelos outros, “insensível” “individualista”, aquelas palavras soavam em minha mente, porém recusei os insultos, havia mil formas de ajudar as pessoas, mas para mim não bastava apenas o meu trabalho, em meu trabalho havia um sistema de trocas, por mais que houvesse doação total, eu sabia que no fim das contas eu haveria de ter a recompensa, mas, neste mundo ninguém nasceu pra ser Cristo, mas se ao menos pudéssemos ser a esperança de alguém…

A política de assistencialismo é uma fraude, nós não doamos nossas migalhas porque nos condoemos da situação alheia, mas porque queremos algo em troca, talvez no fundo Kant tivesse razão, a essência humana é boa, porém, em tempos de modernidade o coração secou, a alma têm seus sentimentos atrofiados e sua consciência esquizofrênica, somos mil personalidades desfiguradas. Em verdade não ajudamos doando nossos farelos de fraternidade, mas sim ao doar aquilo que não temos, ou o que temos de único, lembro de uma frase de Jack London, que costumava dizer que a caridade real era quando o homem procurava dividir entre seus semelhantes a única coisa que havia de comer durante o dia.

O Assistencialismo apenas alivia um problema sério de nossa sociedade tão pouco séria, o que fazer para consertar o imenso buraco? Esta enorme doença social chamada miséria, Ou como bem queira chamar o leitor, talvez se ao menos cada um procurasse o seu melhor e assim construir uma sociedade menos carente, se houvesse realmente uma política pública que desse aos jovens ou a qualquer cidadão o direito a uma oportunidade, o direito ao crescimento pessoal tão bem escrito em nossos livros de lei.

Apenas uma reforma moral em nossos corações pode dar conta do tamanho buraco em que estamos, não precisamos de mais violência, precisamos de mais humanidade, quem sabe se fôssemos mais humanos e menos bestas as coisas não seriam diferentes, é cada vez mais crescente o discurso negro de que somos um conjunto de instintos, que vivemos apenas para desconstruir o mundo, que atingimos o ápice da evolução, mas que evolução existe quando cinco milhões de crianças morrem por ano de fome, que evolução é essa em que mais de 80% da população mundial vive com menos de dois dólares por dia?

Talvez precisemos de uma evolução moral, uma evolução ética, talvez precisamos agir e falar menos, talvez este texto seja uma inutilidade porque sabemos destas verdade e continuamos calados, eu inclusive, então onde encontrar a Esperança? É só lembrar do mito de Pandora, e saberão onde encontrar a resposta.

Namaskar.