Posts de Dezembro, 2008

Seja Água, meu Amigo (Bruce Lee)

31 31UTC Dezembro 31UTC 2008

Cabe ao leitor deste blog algumas reflexões sobre as palavras proferidas por um dos maiores lutadores de Artes Marciais dos últimos tempos: Bruce Lee. Ele nos fala sobre a natureza da água, sua particularidade em alterar seu estado de acordo com as situações em que se envolve, e mensagem é bem clara e tem um sentido específico, pragmático: de dizer que devemos ter a natureza da água. Porém vou além desta consideração e farei algumas ponderações acerca do que nos disse o filósofo (pois todo lutador de artes marciais também é filósofo).

SEJA ÁGUA, MEU AMIGO.

Em todos os momentos de nossa vida estamos ajustando nossos comportamentos. Em cada evento social somos convidados a agir de acordo com as regras estabelecidas em sociedade. Por exemplo, a linguagem, podemos dizer que em um ambiente formal, uma entrevista de emprego, ou uma reunião da empresa, é comum ver as pessoas elevando seu grau de monitoramento lingüístico ajustado àquela situação.

Não se pode falar de qualquer maneira, como se estivéssemos a interagir entre amigos ou familiares, a linguagem se ajusta de acordo com o evento, toma a forma da água, que em cada situação assume uma forma que lhe é particular, temos sempre de assumir uma postura flexível ante os desafios da vida, esta é a mensagem do mestre.

Não podemos nos deixar desatinar pelas derrotas, temos de fluir através delas, como se fossem obstáculos menores, pequenos diante da grandeza de todo nosso ser.

REFLEXÕES à PARTE

Há também dois tipos de reflexão que podemos fazer sobre a mensagem: reflexão sobre a água paralítica e a água em seu sentido vivo.

As palavras de Lee fizeram com que relembrasse o conceito de personalidade, que vem de persona, que significa máscara. Somos todos atores, simplesmente colocamos nossas máscaras para podermos atuar neste palco que é o mundo, nos adequarmos às situações, sermos políticos e circular em harmonia em qualquer ambiente social, portanto, somos água. O que nunca pode ser feito é confundir a máscara com o que de fato se é, pois isto gera um perigo a todos nós. Que é a descaracterização da personalidade. Mas, o que somos de fato? Esta é uma pergunta que cada um deve responder por si.

Atualmente não somos mais que caricaturas infantis do que retratos fiéis de homens. Neste mundo desmitologizado, dessacralizado em vivenciamos a perda com o Sagrado, com o que nos conectava com o divino, e com o que realmente somos em essência. Deixamos de fluir como água em direção ao que nos era Sagrado. Este encontro despertava a Hirofania, o sentimento de estar em Deus, de sermos Unos com Ele. Hoje estamos a viver em meio a um vazio metafísico que pode ser mortal ao homem. Não somos mais do que águas paradas, paralíticas, e sujas.

Para que possamos voltar ao estado de água viva, aquela que busca o oceano primordial do conhecimento, que flui como diz Lee, que golpeia os obstáculos, devemos nos reconectar com o Sagrado, estabelecer esta ponte entre o mundano e o transcendente, correr pelos obstáculos sem nos dar conta dos ferimentos e das dores, temos que ir em busca dessa aventura interior, que sejamos água no sentido de vitalidade que ela tem, e não no sentido passivo e doentio, que possamos fluir e ir calmamente ao encontro de nós mesmos.

Reflexões,

26 26UTC Dezembro 26UTC 2008

Gostaria de presentear os leitores do blog com um excelente texto nesta natal, porém só consigo escrever textos de um valor menor, espero que gostem.

Desde sempre há uma tentativa em meu coração de aliar meus conhecimentos a alguma chave de mistérios da bíblia, não sei exatamente a razão, passei muitos anos tido por minha família como um pagão, alguém perdido e que desacreditava na lei de Deus dita pelos homens. Mas hoje encontrei uma chave em minhas reflexões.

Havia há tempos um homem chamado Parmênides na Grécia antiga, ele era um homem enigmático, um dos pré-socráticos, talvez o divisor de águas daquela filosofia antiga dos gregos. Era taxativo em suas afirmações herméticas de linguagem iniciática e costumava dizer que tudo que estava fora do Ser não existia, pois somente o Ser é Real. Para Parmênides o um é o todo e o todo é o um. Não existe algo além.

Já Pitágoras, em sua década mística, também falava sobre isso, primeiro o um, a unidade, depois de desmembrava em dois, a manifestação, o mundo sensível, em que as coisas materiais se manifestam como representações do mundo das idéias, era dualidade, que não existia, pois somente existia o um.

Então reli alguns trechos bíblicos que apenas transponho para os leitores:

  1. Não odeies o teu irmão no teu coração!
  2. Pede explicações ao teu próximo!
  3. Não te vingues!
  4. Não guardes rancor contra ele!
  5. Ama o teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).

Engraçado é pensar em cinco leis como sendo uma só, sendo todas manifestações de uma coisa única: o amor.

Como as antigas máximas dos pré-socráticos eu digo: não há outra lei superior ao amor e somente ela é válida nos dias atuais. Não existe nada além desta lei, ela é a chave para os mistérios de cada coração humano, ela é a chave do entendimento de que somos todos uma coisa só. Estamos todos interconectados, somos todos irmãos. Cristo queria nos despertar para uma era em que deveríamos nos desapegar de interesses menores e transcender para aquela que seria a lei regente do mundo.

Nós observamos o amor em cada coisa, veja, por exemplo, nosso corpo ele não cobra nada pelos seus serviços, nosso coração bate o tempo todo, não ousa parar, todos os sistemas funcionam adequadamente salvo em casos de doença, se algum órgão deixa de funcionar todos os outros também sofrerão a perda. Talvez, apesar do egoísmo do corpo em sempre querer mais, deve haver nele o sentimento de acreditar em algo mais elevado para fins de sustentação de um todo: uma vida humana.

É o momento de despertar para o amor, nos observar como peça essencial a todo conjunto humano, esquecer este tempo da desesperança, e mais uma vez acreditarmos em nós, tudo está ficando muito difícil, ficará mais ainda, mas se houver uma gota de amor já é um descanso nessa loucura dos tempos modernos, parafraseando Guimarães Rosa.

Natal serve para reflexões, estamos vivendo final de um ciclo, entraremos em outro com nossas esperanças renovadas, mas seria muito interessante se a esperança se tornasse ativa e não passiva em um mundo que precisa de ações reais, urgente.

Namaskar.

Narcisismo

19 19UTC Dezembro 19UTC 2008


Eu sou

A Simplicidade de Caeiro,

O Futurismo de Álvaro de Campos,

O Lirismo de Vinícius,

E a poesia de Chico Buarque

Eu sou a sensibilidade de Chaplin

A filosofia racional de Kant

O furor de Nietzsche

E o pessimismo de Shopenhauer

Sou o violão de Yamandú Costa

Um samba de Cartola

A voz de Maria Bethânia

E a boemia do Rosa

Por fim, Sou

A explosão em Goethe

A Tragédia em Sófocles

O Sarcasmo de Machado

O Maravilhoso em Cortazar

Obs2. Estes textos são brincadeiras, não existe nada de sério aqui, e não sou poeta, poeta é Patativa de Assaré.