A música de Chico Buarque copo vazio é especial para mim. Com tão pouco (ou muito) Chico é capaz de embriagar as nossas mentes e nossos sentimentos com a filosofia simples do dia-a-dia. Fiquei com a música impressa na mente, a lembrança dos rostos prenhes daqueles ares vazios, sem expressão, das faces tracejadas pelo sombrio destino que suas vidas são, vidas demasiadamente infelizes que buscam o desespero para curar a dor, de repente me senti triste, uma metade vazia, uma metade tristeza outra alegria, parafraseando a música, mas recordei a verdade inteira: o todo poderoso amor.
Essa realmente é uma música que faz a gente parar no tempo, como muitas do Chico, mas esta é especial, tem esta frase inicial, do corpo estar preenchido de ar, de que não existe vazio, que tudo ocupa seu devido lugar no espaço, que as peças não estão soltas, mas entrelaçadas por um laço misterioso. A vida não deixa nada suspenso, tudo está devidamente intrincado, não como uma engrenagem, não precisamos de mais uma visão mecanicista da vida, é mais complexo, pois as máquinas são sempre previsíveis, mas e nós? Somos um mistério, sempre mudamos as peças do jogo, mas nem por isso as coisas deixam de ter sentido. Caramba! Mistério bonito que é a vida. Namaskar.
Copo Vazio (Chico Buarque)
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar.
É sempre bom lembrar
Que o ar sombrio de um rosto
Está cheio de um ar vazio,
Vazio daquilo que no ar do copo
Ocupa um lugar.
É sempre bom lembrar,
Guardar de cor que o ar vazio
De um rosto sombrio está cheio de dor.
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar.
Que o ar no copo ocupa o lugar do vinho,
Que o vinho busca ocupar o lugar da dor.
Que a dor ocupa metade da verdade,
A verdadeira natureza interior.
Uma metade cheia, uma metade vazia.
Uma metade tristeza, uma metade alegria.
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor.
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor.
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar.