Ao conversar por esses dias com uma amiga de pouco tempo chegamos à insólita conclusão de que os seres humanos – seres estranhos que evoluíram devido a um polegar opositor – se parecem com os sinais gráficos que determinam o ritmo dos textos que escrevemos todos os dias, existem por ventura alguns mais conhecidos, e explicitaremos nossa filosofia em pontuações simples, nada de muitas delongas, outrora fomos mais complexos, mas chegamos a um nível de sabedoria tal que tivemos a impressão de que somos fundadores de uma nova forma de pensamento: a maiêutica nonsense.
Sabemos que nós nos comportamos de determinadas formas-padrão em nossa sociedade. Por exemplo, temos pessoas que se comportam como as reticências, nunca sabemos o que elas querem dizer, fica aquele suspense no ar, geralmente essas pessoas se definem como um enigma, um clichê já cristalizado no inconsciente coletivo das pessoas, ninguém nunca sabe o que é, o que já é um começo, já que se definir é sempre cair em alguma mentira escabrosa, mas é chato você perguntar “me fale um pouco de ti” e a pessoa responder “sou um enigma”, mas também a pergunta define muito bem o tipo de reposta que você vai ter.
Esse tipo de pessoa é sempre um mistério curioso e devemos ter cuidado com o que dizer sob a pena de não termos resposta alguma, apenas um vazio.
Vamos continuar nossas elucubrações. Já temos os tipos de pessoas que são reticências, mas há aquelas que são um ponto e vírgula, primeiro que você nunca sabe como encaixar este tipo de pessoa na sua vida, o emprego da pessoa ponto e vírgula é sempre complicado, você sempre tenta usar o sinal (opa, a pessoa), mas sempre paira a dúvida, será que vai dar certo? Nunca se sabe, há pessoas na vida da gente que são exatamente assim, e ficamos nos perguntando se o fulano tem alguma função naquele cotidiano que a gente vive, nunca sabemos, sempre temos dúvidas.
Continuando estas indagações esquipáticas, nos deparamos com as pessoas que determinam um ponto final em nossas vidas, elas são responsáveis por fechar o ciclo, terminar a nossa história para que comecemos a contar uma nova, de outro jeito, estilo, entre outras definições que poderíamos ter. Geralmente este tipo de pessoa aparece do nada, conta algo para você, ficas chocado e tomas uma determinada decisão que muda sua vida e que dá um ponto final em tudo que havia no seu comportamento passado, não se trata exatamente de psicólogos, ou analistas, muito menos do seu psiquiatra (que é o que geralmente menos sabe da alma humana, já que os referidos perderam a sua há tempos).
Gosto das pessoas do tipo ponto final, elas vêm e detonam com tudo, não fazem isso porque sejam más, mas porque são misericordiosas e dizem que a gente deve seguir em frente que nossa vida é uma mentira e que já está na hora de você pôr um ponto final nisso e tentar outra coisa, existem tantas possibilidades quanto estrelas no céu e pô, você fica aí tentando namorar aquele cara chato que não te dá a mínima bola e que se acha a última coca-cola do deserto, vamos parar com isso, nada de ser a vírgula da história, opa, vamos a última de nossas personalidades.
A pessoa vírgula está em todo lugar, é fácil usar a vírgula, tem gente que gosta só dela, quase não usa os outros pontos, acha bobagem ficar explicando as coisas, como as pessoas dois pontos, que adoram explicações, a vírgula geralmente é mal empregada, e inclusive por este que vos escreve, mas o que quero dizer é que ela se apresenta em todos os lugares do texto, é uma figura requisitada, importante, dita o ritmo das coisas, às vezes passa uma impressão de fácil, basta usar a vírgula e pronto, está resolvido, o que considero uma maldade para com aquela que somente nos ajuda, a vírgula não é fácil ela é um tipo de pessoa acessível, está sempre sorrindo, pronta para ajudar, não vamos dizer que é a boazinha da história, ela é uma pessoa legal e isso não significa que ela esteja te dando mole Mané.
Eu adoro essas pessoas todas, elas fazem parte da minha vida, os leitores devem estar a se perguntar o que este autor estranho é, ou seja, que tipo de ponto ele seja, bem eu pensei bastante, eu acho que sou um parêntese, eu explico quando é realmente necessário, se não for assim não tem porque me chamar pra nada, enfim. Eu e minha amiga ficamos discutindo essas bobagens que de filosofia nada tem, e terminamos a noite tomando um Ovomaltine com os amigos em alguma beira de estrada no meio da cidade, é sempre tão bom pensar essas bobagens com os amigos.
Namaskar.