Posts de Agosto, 2008

Fernando Pessoa, meu camarada

29 29UTC Agosto 29UTC 2008

Fernando Pessoa era uma personagem esquisita, daquelas que a gente não encontra em cada esquina ou no pátio de casa. Estou dizendo isto porque estou a reler sua obra, reler sim, afinal, nunca lemos de fato um grande clássico, somente podemos dizer que relemos. Alguém me disse isso e hoje, ao observar bem as leituras que faço, considero como uma verdade universal, tal como uma frase no presente do indicativo.

Pessoa considerava-se um neurastênico-histérico. Escrevera certa vez a dois psiquiatras franceses a implorar que estes enviassem, urgentemente, seus catálogos completos, pois necessitava saber tudo sobre magnetismo pessoal a fim de que pudesse injetar em sua personalidade frágil uma vontade de ação, pois acreditava que a cultura magnética era capaz de curar a alma sem “esmagar a emoção, nem prejudicar a inteligência”.

Fernando não conseguia tomar decisões em sua vida, e sua mente era de tal forma acelerada que não conseguia concentrar-se em uma única forma de pensamento, sua psique era um turbilhão de personas, uma porção de Daimons interiores que conversaram com seu Universo particular e faziam com que entrasse em verdadeiro estado de pânico, assim escreve em suas cartas “do ponto de vista psiquiátrico sou um hístero-neurastênico, mas felizmente, minha neuropsicose é bastante fraca; o elemento neurastênico domina o elemento histérico, e isto ocorre para que eu não tenha traços histéricos exteriores”

Havia de ter mesmo alma confusa este tal Pessoa, pois como poderia existir em espécie humana mais de cinco indivíduos completamente diferentes, caracterizando assim um suposto devaneio psicológico ou dissociação da alma. Cada Persona possui sua história individual, se conhecem, um é mestre do outro, mas, como que um são dois? E quando dois são infinitos em um? É metafísica demais.

Seus heterônimos são mais estranhos que o próprio criador, um era guardador de rebanhos, morreu muito cedo, havia de ter saúde frágil, morrera de tuberculose e não teve qualquer educação, mas era mestre de todos os outros. Ironia, ou verdade, pois vivemos num mundo em que grandes intelectuais são piadas e os verdadeiros filósofos são homens simples de sabedoria profunda e pragmática? O nome deste era Caeiro, sim, aquele mesmo das questões do vestibular, que adorava guardar rebanhos e que despiu Jesus menino vendo a face de si mesmo.

Caeiro tinha dois discípulos, um era Ricardo Reis (a qual pessoa costumava dizer ter atribuído toda sua disciplina mental), o médico, que residia no Brasil, pois teria idéias monárquicas e que ensinava latim em algum colégio americano, e o outro era o mais sensitivo de todos e, talvez, mais próximo de Pessoa, Álvares de Campos, que como os leitores sabem era engenheiro naval, meio ligado ao futurismo, etc.

O Poeta português afirmava em suas cartas que desde criança era assim, com cinco anos já escrevia cartas para si mesmo sob o título de tal de Chevaliers de Pas, coisa a qual eu achei formidável, uma criança e seus amigos imaginários, mas um homem de mais de 30 anos, achei esquisito. Mas, confesso, não posso falar muito.

Gosto do Pessoa, gosto do misticismo, do seu patriotismo por uma pátria decadente e o amor por uma humanidade meio torpe. E não é que sou parecido com ele neste ponto, mas não sou gênio nem poeta, sou um embrião de rascunhos mal feitos, acho uma definição estranha, incoerente, mas me sinto assim, a incoerência em si e pronto. Outra curiosidade são as várias passagens de textos a falar da Maçonaria. Embora tenha dito que jamais tenha se filiado formalmente a qualquer entidade ou fraternidade esotérica seus escritos são fortemente marcados pelo simbolismo rosicruciano e maçom, principalmente em Mensagem.

Curioso e comovente é quando ele nos conta que no dia 26 de abril  de 1916 Mário de Sá-carneiro suicidou-se em um hotel em Paris. Faz comentários sobre o temperamento do poeta, e podemos observar a sua angústia diante de uma perda da qual nunca se recuperou. Em outros textos faz alusão à sexualidade de  “celebridades” universais, tais como Shakespeare e Rousseau, sendo que este, segundo o poeta, era sado e aquele uma “Fanta”.

Enfim, curiosidades à parte o livro está cheio de tesouros implícitos de um dos grandes expoentes da literatura portuguesa e mundial de todos os tempos. Livro maravilhoso que revela que há pessoas que pensam como eu  (e como muitos) condenadas pela sociedade como loucas, mas eram apenas normais em meio a um bando de seres comuns.

Namaskar.

Uma brincadeira, talvez, uma tolice (rsrs)

24 24UTC Agosto 24UTC 2008

Hoje tive uma vontade súbita de escrever, mas não sei ainda mexer direito nesta máquina, minhas patinhas são pequeninas e os pêlos atrapalham o digitar. Porém meus dedos deslizaram pelo teclado, e o que antes eram idéias soltas se transmutaram em elementos de um sentido pleno, não digo que seja belo, pois não tenho a natureza nem o olhar de um poeta, mas queria dar ao mundo um pouco de meu coração. Espero que compreendam a precariedade das idéias.

Atenciosamente,

Aquiles

Primeira Poesia

Hoje percebo consternado

Que meu coração infinito,

É Pequenino,

Do tamanho de um átomo lunar

Já meu sentimento

É universal

Limitado,

Do tamanho de

Um fóton de luz

E Minha razão,

Despojada e magnética,

é

Do tamanho de um pontinho estelar

Sinto que isto sou Eu,

Que sou Nada

Um ser triste, sereno

Diminuto,

Do tamanho

Do mundo

Que é meu coração

Eu escrevi minha primeira poesia com muito esforço, sei que parece descontextualizada e imprópria, contudo apenas dei materialidade aos meus sentimentos. Fico grato aos meus amigos e como sou ainda pequenino escrevi uma oração para todos nós, pequeninos, a partir de uma intertextualidade alusiva a um texto bem conhecido de todos. Um abraço.

Paizinho nosso que está no céu,

Santo é seu nome, sagrado é seu coração

Venha a nós, seus pequeninos,

Que seja feita tua bondade sobre a Terra,

Assim como há nos campos celestes repletos de preás

Que eu veja meus irmãos, flores, e principalmente

As borboletas, coloridas,

Como parte de mim,

Que eu possa ter todos os sentimentos do mundo

Que eu possa amar a cada segundo

E perdoar aqueles que me tenham mordido

Não me deixe cair em tentação

E que não destrua as sandálias da vovó

Livrai-me de todos os males,

Amém

Pensamentos Avulsos

19 19UTC Agosto 19UTC 2008

Ontem estava conversando com algumas pessoas. Conversávamos sobre todas as coisas, chegamos à conclusões interessantes, pertinentes, pura filosofia de boteco, ou melhor de fast food. Rimos, brincamos e eu pensando, formulando hipóteses na minha cabeça sobre o que escrever no blog, não havia pensado em um novo tema, algo que pudesse discutir e logo um sentimento lancinante invadiu o autor que pensou em desistir do blog mais uma vez.

Não havia mais assuntos a discutir, tudo havia sido dito, pelo menos por mim, não havia mais nada, eu estava angustiado. Mas o blog é um hobby interessante, você discute algo consigo mesmo, porém tem a perspectiva de que alguém pode se interessar pelos seus desatinos de um mundo menos maluco, talvez mais saudável, com uma gota de amor nessa secura d´alma que é o nosso mundo moderno. Como dizia Victor Hugo “A vida é um campo de urtigas onde a única rosa é o amor”, ou Guimarães Rosa “Qualquer amor é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.”

Blog é uma conversa solitária consigo, com sua natureza interior que ressoa por falar, sua Identidade que reclama por voz, pois ninguém escuta mais o coração, só a mente. Estamos assim porque pensamos demais e sentimos de menos, amamos de pouco em muito pouco, a deixar farelos de tristeza por todos os cantos. Que alegria seria do homem que esquecesse por alguns segundos o pensar e ser feliz em nada, apenas viver, estar livre para aspirar e sentir a vida latente no mundo.

Aí deu vontade de articular um repente, ou então uma canção em prosa, será? Não sei, queria fazer rimas com parágrafos, mas não sou Guimarães Rosa, não tenho a genialidade de um Riobaldo, e nem a loucura sábia do gato Cheschire. As personagens literárias invadiram minha mente e me vi diante do homem da machete, do conto de Machado de Assis. Você, leitor, já leu este conto? Senti a angústia do homem que queria fazer música sem ter o dom, pois não é que vivia o mesmo dilema, o de querer fazer das palavras sinfonias.

Tolice da velha retórica, argumentos avulsos espalhados por parágrafos mal construídos, invencionice literária sem fundamento, trocadilhos mal feitos, pensamentos formulados por silogismos sem lógica. Quanta confusão faz um rascunho de escritor que não sabe articular seus pensamentos em uma seqüência discursiva lógica. Então desatei a rir, copiosamente, de forma macabra e feliz formulava minhas questões metafísicas ou temporais em tracejo de linhas mal digitalizadas. Cheguei até a elaborar um manual do neurótico que começava assim:

“Se você é uma pessoa que está totalmente feliz e acha que a qualquer momento sua felicidade vai acabar, se você termina o namoro perfeito porque acreditas que tudo pode morrer a qualquer momento, se você acha que o amanhã não existe porque és a pessoas mais só do universo. Bom, você é neurótico”

Bobagens. Quanto desperdício de palavra. Não rolava uma idéia realmente interessante , nada. Nem algo que havia lido na Veja, ou em qualquer jornal mais interessante, ou nos livros de análise do discurso, nada, não brotava. A mente virara deserto e meu coração um móvel velho corroído pelos cupins. Parei, conversei com meus borbotões, desisti…

… Pois as idéias não se dominam, elas vêm até nós, chegam ao pé de nossos ouvidos, pululam em nossa imaginação, brincam de corda, correm no labirinto que é o coração e quando cansam respiram fundo e gargalham gostosamente. Riem das tolices que fazemos delas. Quanto as palavras, as escrevemos e  as esvaziamos, tornamo-las secas, sem vida… Falta mais frescor na escrita dos tempos modernos, não digo de paixão, paixão há em demasia, falta algo mais, algo que toque o coração, mística, talvez, como nas palavras de Veríssimo:

“Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… que o AMOR existe e que vale a pena se doar às amizades e as pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena!”

Simplicidade, talvez a palavra mais próxima do Amor.

Namaskar.