Posts de Junho 14th, 2008

Aos Namorados, Namoridos, Desquitados e Emputecidos

14 14UTC Junho 14UTC 2008

Ontem, 12 de junho de 2008, dia dos namorados e, incrivelmente, estou a namorar. Realmente, um recorde. Contudo, esquisito, a namorada não era a namorada de outrora, era outra e, melhor. Talvez namorada perfeita não exista mesmo, mas há uma coisa na vida que se chama “evolução” e isso, meu caro, é uma lei universal.

Namorar virou coisa chique né? Hoje, o mundo pertence aos relacionamentos coelhinhos. Recordo da época dos meus pais: o homem tirava a mulher pra dançar, discursava canalhamente no pé do ouvido da guria e olhava daquele jeitinho, também canalha, e dizia que a pequena era a mulher da vida dele. Incrivelmente, em alguns casos, aquela noite costumava durar uma vida toda. Pô! O Romantismo faz de nós pequeninos, mas pelo menos pequenos maiores e melhores.

Atualmente, na pós-modernidade, relacionamento virou prisão e casamento tratamento de choque. Papo estranho de namorada querer saber em que lugar estou e com quem. Não, nada disso. Não quero nenhum GPS atrás de mim. Há quem tente manter o controle, mas é impossível para mentes mais conservadoras, ou você tem uma mente “livre” ou está fora, ou, pior, pode ser que comece a nascer em você algumas traves estranhas que, com o tempo, acabam dando nó.

O fato é que hoje quase ninguém quer namorar. Há de ser namoro liberal, um relacionamento libertário, orgias e outras coisas estranhas que até mesmo Sade ficaria chocado (ou excitado). Freud com certeza reaveria seus conceitos, e estudaria mais o fenômeno da libertinagem. Confesso que já gostei, fui um homem namorador e, acreditem, de sorte, pois sou exatamente a definição real da estética do feio.

Gosto de ver os casais de velhinhos, quantos anos juntos? Quantas vidas construídas, desconstruídas, quantos filhos? Histórias de contas a pagar, de problemas de saúde, discussões homéricas, xingamentos, separações, desemprego, emprego novo, promoção, primeiro filho, moleque na escola, cortando o dedo empinando pipa, primeira namorada, raspa cabeça, faculdade, diplomado, casa, filhos. Caraca! Dá um livrão, uma novela do Maneco, mas sem o Leblon e as empregadas de apartamento em Ipanema.

Sabe, leitor, hoje quero mesmo é ter alguém pra ouvir minhas confissões e, quem sabe, envelhecer ao lado da pessoa, igual aos casais de velhinhos. Nada de poligamia e as estranhezas modernas, queria ter alguém para escutar minhas angústias, alguém pra sair correndo e depois ligar com o rabo entre as pernas pedindo perdão, uma pessoa que goste de Cirque du Soleil e Chico Buarque, que compreenda meus dias de anjo decaído da oitava esfera e outros de anjo serafim. Pessoa que me telefone do nada para dizer que gosta, valoriza. Para dizer que não sou descartável, que sou amigo, e que seremos um, pois sabemos que dois é ilusão.

Aquela pessoa que fica olhando para você com aquele sorriso que diz tudo e talvez mais até do que isso e ficas ali, naquele momento de paz, com o coração em Dó Maior, em um tempo congelado, mas quente. Tempo que existe eternamente na memória poética, que você pinta com infinitas cores, mas sabe que por detrás de todas elas, está o amor, puro, de sorriso resplandecente e branco, a olhar para ti, circunspecto, retilíneo, a esboçar um sorriso de Deus brincalhão e, em um gesto adorável, abre os portões de si mesmo, em seu peito de luz e me deixa entrar com ela, calmamente, docemente, para nunca mais sair..

Obrigado Diana…

Um Haicai;

Febre / Alucinógeno/ Devaneio