Posts de Junho 11th, 2008

A Ditadura Disfarçada

11 11UTC Junho 11UTC 2008

Alguns aqui recordam do filme A Bela e a Fera, não é verdade? Alguns acham bonitinho, contudo eu, sinceramente, creio que o filme é um belo exemplo de esoterismo em quadrinhos, pois fala de um príncipe egocêntrico que, apenas depois de descobrir o Amor, revive o que é, deveras, ser Humano. Alguns já devem estar perguntando o que isso tem a ver com a ditadura. Calma, criatura! Eu chego lá.

Não sei se os leitores já estudaram alguma coisa de Esoterismo, sim, esse com S, e não o outro, com X, enfim, aqueles que conhecem sabem que há, no homem, sete corpos, sendo quatro inferiores a constituir a personalidade e outros três formando uma tríade, divina, que representa o Ser Espiritual: o que é indestrutível no homem, seu Ego Imortal, etc.

Esta Tríade é formada por Atman, a vontade espiritual, o elemento máximo do homem, capaz de fazer do ser humano criador de seu próprio destino; Budhi, veículo da intuição, representa o Amor, a espiritualidade, a dação; e Manas, a inteligência pura, divina, imaculada, talvez a forma de razão em seu nível mais extremo, mais refinado.

A personalidade é representada por quatro elementos, que inclusive eram representados pelos alquimistas pelos seguintes compostos: terra, representação da matéria, corpo físico, perecível e mortal; água, a energia vital; ar, o veículo inferior das emoções; e o fogo, a chispa de inteligência, mas ainda cercada pelos desejos egoístas etc.

Tentei fazer o desenho, contudo não consegui. Mas pensem assim, acima fica a tríade superior e os de baixo são os veículos inferiores: os quatro elementos. Procurem refletir sobre o símbolo de cada um, a matéria sempre foi ligada ao vocábulo latino illus, ou seja, barro, que originou a palavra ilusão de nossos dias. A Matéria é o elemento Terra que representa a efemeridade.

Recordem agora do numero quatro em nossa tradição: as quatro estações, as quatro fases da lua, os quatro elementos, os quatro números sagrados da tetractys pitagórica, os quatro pontos cardeais, a cruz de quatro lados, a pirâmide de quatro faces, etcetera.

Sobre o número três não preciso falar nada, não é? Todos conhecem as trindades, e os Ns correspondentes ao número e que somados dão sete que é mais simbólico ainda, sendo esses números sagrados e enraizados no espírito humano de forma atemporal (inconsciente coletivo para Jung).

Agora vamos ao tema, após estas explicitações dispensáveis, enfim.

A Fera fora condenada por uma bruxa a uma maldição, seria um monstro, pois se recusou a ajudá-la, mas é claro que o leitor deve saber que a bruxa não era malvada, ela fez isso para que o príncipe eliminasse o egoísmo de dentro de si, e através do amor, da redescoberta da beleza que havia em sua alma (representada pela Bela) voltasse a ser humano.

Podemos fazer um paralelo com nossas vidas.

Esotericamente o príncipe estava totalmente submerso em seus princípios inferiores, aos seus corpos perecíveis, as emoções de ódio e rancor, enfim, estava tomado pela animalidade, então era um verdadeiro monstro e não mais um ser humano. O Homem apegado aos seus veículos inferiores, a materialidade das coisas, dando mais valor do que elas realmente têm torna-se escravo de suas paixões e elas governam o homem em um sistema tirânico em que não há espaço para o verdadeiro Amor, a Justiça, porque se está dominado pelo querer, em que o ter significa poder, porém uma espécie de poder que leva o homem à solidão, ao desespero, etc.

Mas, o verdadeiro Poder é Amor.

Não é à toa que vemos tantas pessoas poderosas totalmente depressivas e desesperadas, pois estão tomadas pelo egoísmo, apesar de terem também inúmeros valores, pois jamais conseguiriam algo com a indolência e à preguiça. Todos nós também temos incorporado a Fera horrível, mas dos tempos modernos. Por exemplo,  ao valorizarmos nossos desejos mais mesquinhos e estranhos, nossos vícios, nossa preguiça e indolência.

Aqui faço uma pausa para reflexão…

Mas quem sou eu para dizer alguma coisa? Não sou ninguém para julgar qualquer ato humano e peço desculpas aos leitores pelos milhares de vezes que fiz isso, mas juro que não faço por mal, juro que meu discurso não é moralista, meu discurso busca somente um mundo em que o ser humano seja Humano, mesmo com seus erros e desacertos, pois eu sei que venceremos, o ser humano há de vencer, sempre…

Voltando…

Portanto deixarmos nos levar pelo que há de pior em nós é ser tirano com nós mesmos, pois o que há de pior governa nossas ações: o materialismo, o egoísmo, os vícios, a preguiça, a inércia. Isso é Tirania, o governo de nossos vícios sobre o que há de espiritual, em uma total inversão de valores. Quando falo de valores não falo da mulher sair na Playboy ou não, isso é problema dela.

Quando menciono valores, discuto a possibilidade de falarmos de amizade sem sermos tachados de lunáticos, de utópicos, de buscar o inexistente. É disso que falo, é isso que busco um mundo em que podemos falar abertamente de coisas positivas sem sermos olhados de soslaio ou com cara de segunda-feira.

O Mundo enfrenta uma nova crise, e daí? Vamos ficar perguntando por que sofremos? Porque estamos aqui? Por que… Por que… Vamos enfrentar tudo isso, é um ciclo que faz parte de nossas ações passadas, nosso Karma coletivo, e para mudar o quadro atual primeiro devemos mudar nossa mentalidade, nossos valores, e não nos deixar cair ainda mais no fundo poço do Materialismo.

Bem, agora me deixe tomar meu Toddy alucinógeno.