Posts de Junho, 2008

O Poeminha do Estalinho

26 26UTC Junho 26UTC 2008

Era festa junina,

O menino estalava o estalinho,

Estalinho que estalava

na perna do menino,

e ele sorria, brincava, se divertia

o público aplaudia

Olhava extasiado

à quadrilha que bailava,

Quadrilha animada a estalar os pés

a dar pontapés no ar e

Cantar alegremente,

Feliz…


Enquanto…

Em outro lugar…

Não muito distante…

Outra quadrilha faz sangrar o país

A escrever mais uma

Página iníqua de nossa história,

Quadrilha dos bem vestidos,

Dos corações corrompidos que,

De boca escancarada,

Arreganhada, alimentam-se da miséria

De um povo distraído pela alegria

Da quadrilha.



E ao longe, em um lugar distante,

A Quadrilha do Terror desponta

E um estalinho estala,

Estala na perna do menino,

Estalo do nervo morto,

Na Faixa de Gaza.

O Açai

26 26UTC Junho 26UTC 2008

Ela é do reino Plantae e de uma divisão conhecida como Magnoliophyta, pertence à ilustre família das arecaceae e é do gênero Euterpe. Mas vamos parar com a linguagem técnica por aqui, pois o caráter deste texto é poético e não científico, mas convenhamos, até a ciência tem em si um pouco de poesia e musicalidade. Pô! Cadê Pitágoras para não me deixar mentir?

Ah, estamos a falar do Açai, plantinha conhecida de todos os paraenses, amazonenses, e todos os irmãos nortistas e que passado alguns anos espalhou-se pelo Brasil tornando-se febre entre os atletas e frequentadores de academias – mais conhecidos como “bombados” – devido ao seu valor energético, etc. Logo depois descobriu-se que se poderia fazer algo mais com a sementinha de açai que acabou virando suco, docinho, sorvete, cestas, redes, sacolas, etc. Porém estes últimos são produzidos pelas folhas do açaizeiro.

A forma mais tradicional de tomar o delicioso suco da fruta é em uma pequena tijela, em que você acrescenta os detalhes, um pouco de charque ou farinha de tapioca, ou outros tipos de fruta, depois você toma, e deliciosamente o suco “penetra surdamente no reino” dos teus sentidos a lhe deixar em êxtase, dizem ser melhor do que uma terapia de Yoga ou massagem tailandesa (sendo que desta o autor desconhece os efeitos terapêuticos que lhe cabe).

Voltando…

Uma bela Tigela de açai, recheada de ingredientes atípicos além de ser uma bela refeição, por seus componentes nutritivos( dizem que cada 100g possui 250 calorias) ainda é uma bela forma de se tornar criança, afinal, quando você se delicia sua boca fica escura, a causar risos nos traseuntes que não sabem o que é bom. Dizem que Pitágoras, em suas viagens, passou pelo Brasil (que ainda não era Brasil coisa nenhuma) e experimentou, levou consigo algumas sementes, porém não vingou por lá, em verdade, como disse Jesus a seus discípulos eu não sei se é verídico, eu só sei que foi assim, como diz Suassuna.

Outra informação relevante que que mudará a vida das leitoras é que Açaí não só se come, como também se usa no cabelo. Sim, as indústrias chiques de cosméticos agora resolveram investir no produto e criaram todos os tipos de creme para pele, cabelo, unha, etc. Tenho pensado em comprar um shampoo adequado para meus cabelos esvoaçantes, quem sabe de açai, não sei, mas eu queria mesmo era o de Kiuí, será que tem?

Uma recomendação ao final deste texto referencial e nada poético como havia prometido no começo: após tomar uma bela tigela de açai não saia correndo, procure descansar, em uma bela rede, não que você seja preguiçoso, mas o organismo precisa dar um descanso, senão você pára ali mesmo, tal como na música: “tomou açai, ficou”.

Obs1. O Autor detesta Açai;

Obs2. Agora só falta inventar a Mulher Açai;

Obs3. Sim! Sou fã de Pitágoras, e daí?

A Tempestade…

25 25UTC Junho 25UTC 2008

Hoje é dia de tempestade, aliás, já passou dos tempos das tempestades, é verão, mas ainda podemos ver algumas escondidas e atrevidas a enfrentar o ciclo natural das coisas. Considero curioso o fenômeno tempestade, aquela porção de nuvens se misturando, tornando o céu cinza, típico de uma alma depressiva, corrompida pelas ranhuras de uma alma sedenta de vida, de frescor, chegamos, pois, à primeira conclusão:

“Para uma alma depressiva, julga-se necessário uma bela tempestade”

Tempestade é Duca! Moleque jogando bola na chuva, chapinhando nas poças d´água, correndo pra lá e pra cá, concurso de bobagens, brincadeira com latinha, tudo é diversão no mundo sutil dos pequenos tatus. Não há revolução, tudo é perfeito, não há julgamento, nem preconceito. Criança costuma burlar o sistema, criança é feliz porque não faz parte dele, criança é livre de umbigo de fora e sorriso na testa… Pô, tempestade boa essa, tempestade de uma segunda conclusão:

“Tudo tem seu lado bom”

Tempestade é força viva, destrói tudo que encontra, destelha as casas e nossas vidas também, descasca nossa alma. Tempestade e seus jogos de relâmpagos… Espetáculo curioso em que você parece enxergar o sistema nervoso do planeta, aquelas artérias, todas prenhes de luz, o céu puto, irado, trôpego, cansado de ver as tolices humanas, logo, temos a terceira conclusão de uma tempestade:

“Os deuses também foram humanos”

“Tempestade, tempera teus instintos, faz chover em minha alma um punhado de amor, uma lágrima quente, que faz balançar a maré do meu coração”.