Lembram da Ditadura? Aquela que durou mais de vinte anos, que calou o povo, exilou os intelectuais, destruiu a liberdade, torturou, humilhou e assassinou milhares de jovens, verdadeiros idealistas, homens que hoje fazem falta em uma sociedade de caprichos infantis, sociedade do ter, em que todos esqueceram de Ser Humanos. Sociedade de irmãos que olvidaram da mensagem do Chico, do Baiano tropicalista. Sociedade “muda e telepática” que nunca soube o porquê de estar aqui.
Mas, esperem, parece que agora há uma ditadura nova, gente. Toda Moderna, disfarçada de democracia, alimentada pela antiga política (muito eficaz) do pão e circo, mas que hoje, revitalizada, poderia se chamar política do “fast-food” e tevê. Ditadura da alienação, do excesso de informações dispensáveis, da bitolação, das notícias dos famosos, das novelas fantasiosas, do mundo da diversão e da falta de esperança que é a televisão. Ô caixinha desgraçada aquela, mata mais do que a quebra de um átomo, não crema o corpo, mas a alma. Inimigo bom de lutar essa nova ditadura, ein?
Ah, Lembram da Escravidão? Que arrancou os nossos irmãos de seu país, os enfiaram em porões escuros, repletos de ratos e fezes, navios chamados de “negreiros”, depois atravessaram os mares, colocaram-lhes grilhões, destruíram sua Liberdade, “restituída” séculos depois, por interesses mercantilistas e não humanos como deveria ser.
Mas, infelizmente, os resultados nefastos daquela loucura coletiva ainda refletem na sociedade. Hoje, por exemplo, são muitas as pessoas, herdeiras da triste sina de seus ancestrais, que sofrem pelo estigma da cor e marginalizadas, sem oportunidade e trabalho, ficam exiladas da nação e, atualmente, encontram-se nos semáforos, a maioria crianças, nova geração de uma cadeia infinita de miséria, a realizar malabarismos para viver.
Isso quando não estão nas cadeias, ou então quando recebem certa cota do governo em universidades particulares para suposta inclusão social que acarreta em muitas dúvidas, instiga o ódio de alguns que não compreendem a imensa dívida social que temos com nossos irmãos.
Ah, esqueci de dizer que ela, a escravidão de antigamente, não desapareceu e atualmente, se manifesta de outras formas, em novos formatos, “modernos”, que não atingem apenas os negros, e sim pardos, amarelos, brancos, índios etc. Está em toda parte, em sistemas ainda feudais de fazendas no interior do Pará, ou pela américa latina na exploração da população carente pelas grande corporações internacionais.
Opa! Esqueci de dizer que a escravidão moderna não restringe apenas nossas liberdades individuais de locomoção, ir e vir, etc. É também uma escravidão ideológica que faz de nos títeres da nova moda, do consumo, do materialismo que tinge de cinza o que antes era vermelho (chamado por alguns de barbárie e por outros de liberdade).
Para finalizar, vocês lembram das guerras? Inúmeras, não? Primeira, Segunda, Terceira, Quarta, Iraque, Vietnã, Coréia, ∞. Enfim, infinitas, e hoje, no mundo moderno, ainda estamos combatendo. Mundo da diplomacia, da razão, em que tudo se explica (ou não) e o que não se explica é tratado como aberração.
É neste mundo que lutamos feitos animais imbecis para nenhum fim… A guerra do Iraque é para quê mesmo? Bem, o Senhor Presidente deles adora, ele lucra um bocado com a morte dos seus súditos, a parceria com a Carlyle Group tem gerado uns bons lucros.
Guerra tecnológica… Existe termo mais imbecil? Até quando vamos usar nossos conhecimentos, coisas as quais lutamos tanto para conseguir, em lutas estranhas sem nenhum sentido real para com nada a não ser o lucro de alguns velhos espertinhos? A destruição continua, milhares de vidas em potencial perdidas, mutiladas, esquartejadas, de jovens cheios de sonhos e desejos de um mundo melhor, que terminam com um belo tiro de fuzil, ou por uma napalm bem escondida. Quando vamos entender que tudo isso é vaidade?
É simples: quando descobrirmos quem somos, quando descobrirmos que não somos assassinos, que somos criaturas divinas, que estão aqui para colaborar e viver como humanos e não como animais que nascem, crescem, comem, excretam, morrem e mais nada. Somos mais que isso, somos humanos, criamos um mundo cheio de problemas, mas também construímos coisas maravilhosas, somos belos e cheios de sonhos…
Ecoa em nós um sentimento contra toda essa manifestação de ignorância , e esse sentimento é Amor, o Solvente Universal, o elemento que destruirá todas as cadeias de egoísmo e que fará do mundo um lugar melhor para a nova geração, porque a vida não pára, e vivemos apenas um nanosegundo* de toda a História Universal.
Namaskar.
*Em verdade, como disse Jesus a seus discípulos, eu não sei exatamente se existe ou não essa unidade de medida. Até mais.
