O que seria de nós se pudéssemos alcançar as estrelas? Já pensou se tivéssemos a capacidade de, por um momento breve, tocá-las e senti-las em nossas mãos? Hoje tive esse pensamento sem destino que o homem pode qualquer coisa, basta ter a vontade em si e a esperança, pode até ter o poder de agarrar uma estrela, enfiá-la no bolso e partir contente para casa, pode aventurar-se na cauda de um cometa, enfim, tudo o que a imaginação permitir.
Sobreveio de súbito, quando estive a pensar, um sentimento imenso de Eterna-idade. Parecia que estiva invertendo o sentido do espiral, que geralmente inicia em um ponto e assim faz seus circulos concêntricos, porém, no sentido inverso (ou talvez o sentido certo) estava indo em direção ao meu centro, ao encontro da minha própria essência, dos meus sentimentos mais puros e verdadeiros, eu enxergava, por um deslumbre minha verdadeira Identidade. Não, não era meu nome, meus pensamentos, meu raciocínio analítico, era mais que isso, sentia que havia chegado ao máximo de expansão da roda e que agora era chegada a hora de voltar para si.
A vida é uma constante espiral em expansão, mas uma hora ela cansa de expandir-se, quer voltar a si, quer encontrar sua unidade, sua expressão de TODO ao invés de partes ilusórias.
É um sentimento mágico… Lembro de uma figura que marcou muito minha adolescência: a figura do solve et coagula. Uma serpente a engolir sua própria cauda, símbolo de Eternidade. Solve et Coagula, fala sobre o solvente universal, capaz de destruir todos os planos da ilusão (de illus, barro) para enfim absorver o TODO em um único ponto, o solvente universal é nada mais que Amor. Somente este poderoso ente é que pode no mundo de fel e de injustiças de hoje, resgatar o verdadeiro sentido humano. Para isso deverá solver de todos os corações o egoísmo e a cizânia. Quando isto acontecer, voltaremos ao encontro do Eu ou Self.
Irmãos, é tempo de recomeçar, procurem em si o simbolismo de suas próprias vidas. Voltem a perguntar a sua alma qual seu objetivo e propósito, ela responderá, a menos que você não queira ouvir. Não se enganem, por detrás de todo discurso da Natureza existe uma infinidade de outros discursos interligados entre si e em harmonia no aparente Caos moderno. Deus existe em todas as formas e tamanhos, existe em um coração redondo, quadrado ou curvilíneo, existe nas formas mais obtusas e grotescas, pois se não fosse assim não seria um ABSOLUTO.
Para tudo existe uma razão meu irmão e ante os desatinos da vida não se desespere, não acorrente a sua vida a coisas sem propósitos elevados, sem uma real intenção de crescimento pessoal e coletivo, pois a maior heresia é a que prega a salvação individual. Estamos todos no mesmo barco quer queiramos ou não, e devemos ser como Hórus que recolheu as catorze partes do corpo de Osíris em sua Barca Celeste, ou seja, todos nós devemos resgatar o que há de divino em cada fator da vida e por fim nos tornarmos o próprio caminho, símbolos que agregam o que há de melhor na humanidade.
Hoje recomeço o caminho de volta, sei que durará milhares de anos para chegar lá, contudo não irei desistir, ainda hei de pegar minha estrela, colocá-la no bolso e contar a todos o que achei. Pois como diria Mário Quintana “Se as coisas são intangíveis… Ora! Não é motivo para não querê-las…/ Que tristes os caminhos, se não fora/ A presença mágica das estrelas!”.
Namaskar.