Posts de Novembro, 2007

Caminho de Volta ( A Espiral )

30 30UTC Novembro 30UTC 2007

 


O que seria de nós se pudéssemos alcançar as estrelas? Já pensou se tivéssemos a capacidade de, por um momento breve, tocá-las e senti-las em nossas mãos? Hoje tive esse pensamento sem destino que o homem pode qualquer coisa, basta ter a vontade em si e a esperança, pode até ter o poder de agarrar uma estrela, enfiá-la no bolso e partir contente para casa, pode aventurar-se na cauda de um cometa, enfim, tudo o que a imaginação permitir.

Sobreveio de súbito, quando estive a pensar, um sentimento imenso de Eterna-idade. Parecia que estiva invertendo o sentido do espiral, que geralmente inicia em um ponto e assim faz seus circulos concêntricos,  porém, no sentido inverso (ou talvez o sentido certo)  estava indo em direção ao meu centro, ao encontro da minha própria essência, dos meus sentimentos mais puros e verdadeiros, eu enxergava, por um deslumbre minha verdadeira Identidade. Não, não era meu nome, meus pensamentos, meu raciocínio analítico, era mais que isso, sentia que havia chegado ao máximo de expansão da roda e que agora era chegada a hora de voltar para si.

A vida é uma constante espiral em expansão, mas uma hora ela cansa de  expandir-se, quer voltar a si, quer encontrar sua unidade, sua expressão de TODO ao invés de partes ilusórias.

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É um sentimento mágico… Lembro de uma figura que marcou muito minha adolescência: a figura do solve et coagula. Uma serpente a engolir sua própria cauda, símbolo de Eternidade. Solve et Coagula, fala sobre o solvente universal, capaz de destruir todos os planos da ilusão (de illus, barro) para enfim absorver o TODO em um único ponto, o solvente universal é nada mais que Amor. Somente este poderoso ente é que pode no mundo de fel e de injustiças de hoje, resgatar o verdadeiro sentido humano. Para isso deverá solver de todos os corações o egoísmo e a cizânia. Quando isto acontecer, voltaremos ao encontro do Eu ou Self. 

Irmãos, é tempo de recomeçar, procurem em si o simbolismo de suas próprias vidas. Voltem a perguntar a sua alma qual seu objetivo e propósito, ela responderá, a menos que você não queira ouvir. Não se enganem, por detrás de todo discurso da Natureza existe uma infinidade de outros discursos interligados entre si e em harmonia no aparente Caos moderno. Deus existe em todas as formas e tamanhos, existe em um coração redondo, quadrado ou curvilíneo, existe nas formas mais obtusas e grotescas, pois se não fosse assim não seria um ABSOLUTO.

Para tudo existe uma razão meu irmão e ante os desatinos da vida não se desespere, não acorrente a sua vida a coisas sem propósitos elevados, sem uma real intenção de crescimento pessoal e coletivo, pois a maior heresia é a que prega a salvação individual. Estamos todos no mesmo barco quer queiramos ou não, e devemos ser como Hórus que recolheu as catorze partes do corpo de Osíris em sua Barca Celeste, ou seja, todos nós devemos resgatar o que há de divino em cada fator da vida e por fim nos tornarmos o próprio caminho, símbolos que agregam o que há de melhor na humanidade.

Hoje recomeço o caminho de volta, sei que durará milhares de anos para chegar lá, contudo não irei desistir, ainda hei de pegar minha estrela, colocá-la no bolso e contar a todos o que achei. Pois como diria Mário Quintana “Se as coisas são intangíveis… Ora! Não é motivo para não querê-las…/ Que tristes os caminhos, se não fora/ A presença mágica das estrelas!”.

Namaskar.


Um desabafo

28 28UTC Novembro 28UTC 2007

 

           Alguns decerto dizem que sou um revolucionário imbecil, que sou um demagogo, um sofista, alguém dos belos discursos, da pompa da formalidade lingüística, que sabe utilizar-se da pontuação, dos recursos retóricos de forma singular e que deveras exageras nos textos narrativos, que quase sempre saem muito ruins. O correto é que em partes essas pessoas estão corretas.

            Em um passado distante, talvez morto em minha memória, realmente não era a pessoa mais indicada para falar da vida e para fazer discursos de mudança significativa no mundo. Até o início deste blog eu não tinha qualquer autoridade para dizer qualquer coisa em nome do que quer que seja e tampouco hoje tenho esta imensa autoridade. Porém, hoje, tenho algo a dizer aos senhores.

            Meu trabalho não me dignifica como alguns dizem. Sou um simples professor, de um programa que atende jovens e todos os dias chego cedo e saio mais tarde, planejo as aulas com todo carinho e sei o nome de todos os meus alunos. Porém, não sou revolucionário. Sim, fico horas em frente ao computador ou as madrugadas lendo as matérias para as aulas. Ao entrar em sala digo “Bom Dia” e não reclamo de meus problemas pessoais e sempre entro em classe para dar a melhor aula que posso, mas não sou um revolucionário.

            Recorto as revistas e leio todas que posso e compro com dinheiro emprestado, pois quero não apenas andar bem informado, mas quero analisar possíveis textos para trabalhar com os jovens e fazer com que eles reflitam sobre política, a sociedade, o mundo, o país em que vivem, para que conheçam seus direitos e deveres (estou por ler a constituição para dar aulas sobre cidadania). Porém, eu não sou um revolucionário. Sou um professor querendo dar um basta no analfabetismo funcional e que ama o que faz, mas que não é alguém especial.

            Muitos são os educadores que sonham por um mundo melhor, muitos somos os que gritamos sozinhos e nossos gritos ecoam em nada, e sabemos a razão. Somos muitos os que sonham com um dia em que as pessoas de classes mais simples tenham as mesmas oportunidades e não apenas lutem por sobreviver. Porém hoje gostaria de falar àquelas pessoas que nada fazem ou fizeram e que criticam nossa posição de sonhadores a elas eu digo: – vocês já nasceram mortos!

            Os que lutam apenas por si mesmos, apenas por seus objetivos egoístas e que criticam aquelas pessoas que ainda têm carinho por elas estão mortas e serão infelizes, pela razão simples de que o egoísmo sempre traz a solidão e a imensa tristeza. Sim! Estão mortos, seus olhos são obscuros, sem vida e só lhes interessa o prazer de curtir o momento para que reclamem no momento seguinte que a sua vida não vale a pena. Sim! Estão Mortos!

            Eu não nasci morto, quase morri muitas vezes por meu egoísmo que hoje me delega uma solidão imensa. Mas sei que hoje sou feliz pelo fato de ter dois ou três amigos de verdade e que tenho em quem confiar. Minha vida falsa se foi e tudo está morto e uma nova vida começando. MAS É VIDA! Você que me critica, que manda emails torpes o que fez? O que fez por si mesmo e pelos outros? Nada mais é do que um câncer que atormenta a humanidade.

            Porém, espero sinceramente que mudes de posição e que ao invés de câncer sejas célula para construção de um mundo melhor e mais livre, um mundo de Fraternidade Universal. Namaskar.

Anjo de Luz

26 26UTC Novembro 26UTC 2007


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Não posso ver-te mais

Aqui, comigo, dentro de mim

Meus pensamentos desarrumados

Desalinhados,

Translucidamente,

Acorrentados a ti

 

Os momentos que passei

Contigo ouvindo aquela

Canção,

Som do mar, maresia,

O ritmo do cá e lá das ondas

Que arrebate a alma

E sossega o coração

 

Sentavas ao meu lado

Tomando sorvete,

As mãos imundas

Com o cascalho pela metade

E o sorriso manchado de

Inocência

 

Sua alma não era luz,

Mas também não era treva

Era um equilíbrio de forças

A espargir-se pelo mundo

Em pequenas luzes

Cintilantes,

Para alumiar Corações,

Que choram… Que sangram,

E que sonham com a morte

Para poderem viver

 

Procuram a sem tino

Um destino,

No horizonte,

Uma breve possibilidade

De encontrar-te contigo

Carla… Clara…

 Anjo de Luz