Posts de Setembro, 2007

Picaretas

19 19UTC Setembro 19UTC 2007

 

Obs. Música “Piruetas” de Chico Buarque adaptada à Infeliz Realidade Brasileira.

Uma picareta
Duas picaretas
Bravo, bravo
Superpicaretas
Ultrapicaretas
Bravo, bravo
Salta sobre
A bancada
E tomba de nariz
Que a moçada
Vai pedir bis
Que a moçada
Vai pedir bis

Quatro assassinatos
Cinco assassinatos
Bravo, bravo
Arquiassassinatos
Hiperassassinatos
Bravo, bravo
Rompe a bala
Beija, mata e
Tomba de nariz
Que os senis
Vão pedir bis
Que os senis
Vão pedir bis

No intervalo
Tem cheirim de mensalão
E a mãos coçam
Mais do que um comichão
Quero um pedaço
Cê tá louco
Quero um pouco
Cê tá chato
Só um pedaço
Cê tá gordo
Eu te mordo
Seu palhaço

 


Olha o público
Cansado de esperar
O espetáculo não
Pode parar

 

Vinte falcatruas
Trinta falcatruas
Bravo, bravo
Polifalcatruas
Maxifalcatruas
Bravo, bravo
tapeia, engana
dribla
E tomba de bumbum
Que a patota
Grita mais um
Que a patota
Grita mais um

 

No intervalo
Tem cheirim de mensalão
E a pilantragem corre
Mais do que um leão
Quero uma parte
Cê tá louco
Quero um pouco
Cê tá chato
Só um pedaço
Cê tá gordo
Eu te mordo
Seu palhaço

 


Olha o público
Cansado de esperar
O espetáculo
Não pode parar

 

Dez mil reviravoltas e
Cem mil tramóias
Bravo, bravo
Maxigalhofas
Extracambalhotas
Bravo, bravo
Assalta além
Da atmosfera
E cai onde cair
Que a galera
Morre de rir
Que a galera
Morre de rir

 

Ai, minha cabeça
Já tô vendo estrelas
Bravo, bravo
Ai, minha cachola
Não tô bom da bola
Bravo, bravo
Lona… Propina

 

Viva à

 

Polícia Federal

 


Uma falcatrua
Uma arapuca
Uma cambalhota
Não tô bom da bola
E o pessoal
Delira…
MaxiVergonha…
Ultraviolência…
Bravo, bravo!

Namaskar.

As Pedrinhas Mágicas do Fogo

18 18UTC Setembro 18UTC 2007

Risco no ar o fogo

Com minhas pedrinhas mágicas

E circulo seus mistérios

Múltiplos mistérios

 Que abrasam meus sonhos

 Fervilham os meus anseios

Volatilizam minha angústia

 Consomem meu Amor

E o transforma, transfigura

Transmuta

Risco no ar o fogo

Com minhas pedrinhas mágicas

Que ecoam seu som em minha imaginação

Tilintam, cantam

Entoam suas cantigas e despertam

Em meu íntimo

 A vontade de bailar

Oh Lume! Consuma minha dor

Abrase minha fome

 Fome de luz

Em labaredas que aniquilem

 A obscuridade, o negrume

O lúgubre

Fogo, fulgor, consciência

 Possua meu Espírito

E instigue em mim

 O que é terno e majestoso

 Transfigure o velho

 E o converta em novo

“Alquimize” a frívola personalidade

Desperte em mim a mais sublime luz

A Fábula dos Três Porquinhos

15 15UTC Setembro 15UTC 2007

           

 “Não se acaba com um formigueiro matando as operárias e sim a Rainha”

              Acompanho mais uma vez surpreso (e deveria?) as notícias que se seguem nos telejornais sobre o então caso da vez Renan Calheiros. E você ai leitor tinha alguma dúvida da absolvição? Afinal, o voto é secreto, ninguém sabe e há muita gente com o “rabo preso”. Achaste mesmo que dessa vez seria diferente? Pois acabou bem pior não foi? O senador Pedro Simon (não sei se por mais um joguete político) afirmou que foi um dos piores momentos da Casa, o senado já estava a enfrentar o terceiro caso em que seus desvalidos senadores eram acusados de corrupção deslavada. 

           Agora, após tantas peripécias dos advogados do diabo, Renan segue para o Paraná, em avião da FAB, afinal ele precisa de um descanso, coitadinho. Política no Brasil nunca foi coisa séria e quem falar aqui que existe seriedade neste jogo pode contar sua anedota neste blog, o espaço é livre e democrático, como nosso senado, em que o acusado professa várias ameaças aos companheiros que não o apoiarem e até coagir  “respeitadas” revistas do país.

             Nunca fui bom em escrever sobre este assunto. Não sou pensador de coisa alguma. Mas, realmente, não se pode ver, ler e ouvir a tudo calado. Outro dia o Anima Mundi veio a Belém para mais uma amostra de animações e uma me despertou muita atenção. Era a famosa fábula dos três porquinhos só que com uma alteração peculiar: estava adaptada à realidade brasileira. O primeiro porquinho era um narcotraficante do Rio de Janeiro, o seu algoz era o lobo, um policial honesto que corria atrás do infeliz, após uma perseguição emocionante com tiros e tudo ele (o lobo) o prendeu.

             O segundo porquinho era um viciado. Cheirava pó pra ficar “ligadão” e matar cada vez mais o consciente  a sangrar a alma até uma possível segunda morte: a do espírito. O Lobo conseguiu prendê-lo em sua casa completamente em estado lastimável. As últimas cenas são muito interessantes o Lobo corre, corre e corre até chegar a Brasília e em frente a uma casa enorme tenta derrubar o muro com vários artifícios, porém não consegue (igual à fábula). Porém, vendo a insistência do Policial (Lobo) o último Porquinho faz uma ligação e manda prender o policial honesto e, então,  aparece por detrás de sua poltrona: era um político.

            O final é apoteótico. Todos reunidos, o porquinho narcotraficante, o viciado e o político dançando juntos, ao som do samba e da falta de vergonha. Uma mensagem clara  ao leitor amigo destas linhas: o crime no Brasil é um Todo, como se fosse uma árvore, tem as raízes em que pessoas utilizam de sua inteligência para artifícios maldosos, articulam o crime, pensam nos detalhes de como conseguir o que querem por meios escusos e doentios. Uma hierarquia bem organizada.

            Há o tronco que é uma espécie de exército do mal que sob o comando de algum psicopata (grandes organizações criminosas tem um perfil psicopata) mata, descarta a vida em todos os níveis (inclusive a sua) dissemina suas sementes de morte e angústia por todos os cantos e em todos os níveis a deixar em todos os lugares um rastro de pavor, medo e tristeza por aqueles que morreram inocentemente nesta guerra suja em que se matam civis.

              Esta árvore dá frutos sim como a  miséria, morte de pessoas inocentes, etc. A fábula é propícia, pois ela nos diz que tudo está interligado. Mas, sempre pegamos os pobres coitados, os porquinhos viciados e os que sem grana e oportunidade se rendem a vida perigosa, doentia do crime organizado. A política de recrutamento de jovens para servir o crime  continua, nossa esperança hoje está a se tornar o pesadelo do amanhã.

             E quando vamos cortar a raiz disto tudo? Podes até cortar o tronco, mas a árvore nao estará morta enquanto não se tirar a raiz. Mas, este é um problema de todos nós que ainda exercemos nosso poder de voto e nossas escolhas de modo inconsequente e infantil a nos deixar levar pelas imagens “bonitinhas” e os discursos vazios e belos dos financiadores e articuladores  do crime. Exerçam o que há de melhor em vocês para a mudança desta realidade, nao somente pelo voto, mas por um trabalho em  sua comunidade para conscientizar o jovem para que lute pela vida e não pela destruição da mesma em todos os sentidos.

          Ah! Esqueci de dizer, o Lobo Honesto é um policial analfabeto que ao final do curta fica em sua pobre “delegaSia”.