“Não se acaba com um formigueiro matando as operárias e sim a Rainha”
Acompanho mais uma vez surpreso (e deveria?) as notícias que se seguem nos telejornais sobre o então caso da vez Renan Calheiros. E você ai leitor tinha alguma dúvida da absolvição? Afinal, o voto é secreto, ninguém sabe e há muita gente com o “rabo preso”. Achaste mesmo que dessa vez seria diferente? Pois acabou bem pior não foi? O senador Pedro Simon (não sei se por mais um joguete político) afirmou que foi um dos piores momentos da Casa, o senado já estava a enfrentar o terceiro caso em que seus desvalidos senadores eram acusados de corrupção deslavada.
Agora, após tantas peripécias dos advogados do diabo, Renan segue para o Paraná, em avião da FAB, afinal ele precisa de um descanso, coitadinho. Política no Brasil nunca foi coisa séria e quem falar aqui que existe seriedade neste jogo pode contar sua anedota neste blog, o espaço é livre e democrático, como nosso senado, em que o acusado professa várias ameaças aos companheiros que não o apoiarem e até coagir “respeitadas” revistas do país.
Nunca fui bom em escrever sobre este assunto. Não sou pensador de coisa alguma. Mas, realmente, não se pode ver, ler e ouvir a tudo calado. Outro dia o Anima Mundi veio a Belém para mais uma amostra de animações e uma me despertou muita atenção. Era a famosa fábula dos três porquinhos só que com uma alteração peculiar: estava adaptada à realidade brasileira. O primeiro porquinho era um narcotraficante do Rio de Janeiro, o seu algoz era o lobo, um policial honesto que corria atrás do infeliz, após uma perseguição emocionante com tiros e tudo ele (o lobo) o prendeu.
O segundo porquinho era um viciado. Cheirava pó pra ficar “ligadão” e matar cada vez mais o consciente a sangrar a alma até uma possível segunda morte: a do espírito. O Lobo conseguiu prendê-lo em sua casa completamente em estado lastimável. As últimas cenas são muito interessantes o Lobo corre, corre e corre até chegar a Brasília e em frente a uma casa enorme tenta derrubar o muro com vários artifícios, porém não consegue (igual à fábula). Porém, vendo a insistência do Policial (Lobo) o último Porquinho faz uma ligação e manda prender o policial honesto e, então, aparece por detrás de sua poltrona: era um político.
O final é apoteótico. Todos reunidos, o porquinho narcotraficante, o viciado e o político dançando juntos, ao som do samba e da falta de vergonha. Uma mensagem clara ao leitor amigo destas linhas: o crime no Brasil é um Todo, como se fosse uma árvore, tem as raízes em que pessoas utilizam de sua inteligência para artifícios maldosos, articulam o crime, pensam nos detalhes de como conseguir o que querem por meios escusos e doentios. Uma hierarquia bem organizada.
Há o tronco que é uma espécie de exército do mal que sob o comando de algum psicopata (grandes organizações criminosas tem um perfil psicopata) mata, descarta a vida em todos os níveis (inclusive a sua) dissemina suas sementes de morte e angústia por todos os cantos e em todos os níveis a deixar em todos os lugares um rastro de pavor, medo e tristeza por aqueles que morreram inocentemente nesta guerra suja em que se matam civis.
Esta árvore dá frutos sim como a miséria, morte de pessoas inocentes, etc. A fábula é propícia, pois ela nos diz que tudo está interligado. Mas, sempre pegamos os pobres coitados, os porquinhos viciados e os que sem grana e oportunidade se rendem a vida perigosa, doentia do crime organizado. A política de recrutamento de jovens para servir o crime continua, nossa esperança hoje está a se tornar o pesadelo do amanhã.
E quando vamos cortar a raiz disto tudo? Podes até cortar o tronco, mas a árvore nao estará morta enquanto não se tirar a raiz. Mas, este é um problema de todos nós que ainda exercemos nosso poder de voto e nossas escolhas de modo inconsequente e infantil a nos deixar levar pelas imagens “bonitinhas” e os discursos vazios e belos dos financiadores e articuladores do crime. Exerçam o que há de melhor em vocês para a mudança desta realidade, nao somente pelo voto, mas por um trabalho em sua comunidade para conscientizar o jovem para que lute pela vida e não pela destruição da mesma em todos os sentidos.
Ah! Esqueci de dizer, o Lobo Honesto é um policial analfabeto que ao final do curta fica em sua pobre “delegaSia”.