Posts de Março, 2007

Macro, Micro, Mutabilidade.

14 14UTC Março 14UTC 2007

“O que é não pode deixar de Ser”. Interessante não?! Imagine então que você e Eu somos uma ilusão passageira. Um vago sopro da vida que pode extinguir-se a qualquer momento. Ao assistir ao filme “Uma Verdade Inconveniente” fiquei surpreso ao ver a cena final em que a Terra em uma foto tirada de longe se parece com um pingo branco em meio a uma imensa folha de papel escura. Nossos conceitos de Eternidade e de Tamanho talvez estejam meio desconectados da visão até científica atual. Porém, isso já era discutido em algumas academias antigas por filósofos da antiguidade.

Recordo agora de uma história muito legal sobre e existêncialidade das coisas. Dizem que Parmênides caminhava pelas ruas ao pensar e que de repente viu se intrigado com uma cena curiosa: pessoas estavam reunidas para despedir se de um ente querido que havia morrido. Parmênides perguntou: quem morreu? E tudo mundo respondeu ao enigmático filósofo que disse: mas a morte, meus caros, como fim de tudo, não existe.Todos afirmaram que o sujeito à sua frente era louco, Contudo ele disse: Poderia provar a vocês? (Agora, imaginem essa situação em um velório, não parece mentira?).

E Parmênides explicou tudo de uma forma lógica que ninguém imaginava. Disse que o homem é composto por três coisas essenciais: Forma, Matéria, Espírito. Bem, então, vocês podem matar a forma de algo? Ou destruí-la?  Podem por exemplo matar a forma de um triângulo? Ou então a matéria? Pode a matéria destruir-se? Pode ser que ela modifique, mas jamais poderá desaparecer ou morrer porque ela é e o que é,  sempre será e não poderá deixar de ser (que coisa estranha). Agora pensem no espírito, podemos destruir algo que costumamos dizer que é absoluto? (bem, aqui o ponto é complicado, pois teríamos que analisar o conceito filosófico clássico de absoluto).

A resposta para as três perguntas era: Não! Então, não existe o fim de tudo. As coisas modificam, mas não morrem e vivem para uma nova etapa. O Budismo chama isso de Mutabilidade.

Agora imaginem uma formiga, já? Pequena não é? Porém, é pequena para nós, mas e para uma célula? E uma célula não contém elementos parecidos com os do Universo? E Nosso corpo não apresenta característica de uma sociedade Organizada como a das pequenas formigas? O Macro reflete no Micro. Como algo que está dentro de nós pode ser reflexo de algo tão complexo e intricado como uma cultura, uma sociedade organizada? e Qual a relação disto com o Universo? Perguntas inquietantes para corações inquietos e ávidos por respostas.

O Universo está dentro de nós. Todos os átomos que estão em você agora já foram um Satori San, ou um Michael, ou então um Sankara, ou então um José qualquer. O que quero dizer é que tudo que temos não perde seu valor e se distribui no universo de uma forma inteligente que ainda não ousamos conhecer. Posso estar errado, mas existe uma lógica no mecanismo e nas engrenagens de tudo que vemos, que de certa forma não obedece a uma ordem cega, mas inteligente e muito criativa. Namaskar.

Que tal ser uma Estrela?

11 11UTC Março 11UTC 2007

Ontem olhei para o céu e vi a famosa estrela do Norte. Estrela que não se move e que serve para indicar o caminho àqueles que se perdem. Elas (as Estrelas) são exemplos memoráveis de Eternidade, como muitos de vocês já sabem algumas delas já não se encontram mais no plano físico do Universo. Porém sua Luz nos chega até hoje e chegará por muitos anos, talvez séculos ou até mesmo Eras.

Você aí não gostaria de ser uma Estrela? Fico a pensar nos exemplos tão bons que a história nos fornece. Seres humanos que dedicaram suas vidas a uma determinada causa ou Ideal. Platão comentava em seus famosos diálogos que o homem não sabe viver sem um Ideal pelo qual deve não somente morrer, mas sim viver. Poderíamos lutar, por exemplo, pelo nosso Mundo, não é mesmo? Muitos tentaram e fracassaram, o que acham de mudarmos essa história? Que tal sermos uma estrela que serve para indicar um caminho? que tal sermos um guia para a história como aqueles homens do passado glorioso? Não se trata de sermos Alexadre, o Grande, trata-se de ser apenas  você mesmo. O que Acha?

O mundo pede socorro. Milhares de pessoas estão neste exato momento gritando de fome, ou por motivos de violência, tanto psicológica como espiritual e a mais comum: física. O equilíbrio ecológico está afetadíssimo, estamos vendo ilhas sumirem e em breve veremos cidades submersas e etc. A biodiversidade pode estar entrando em extinção nos próximos anos, se continuarmos nossa política cega absurda e obtusa de achar que não precisamos da Natureza. Sem ela não iremos a qualquer lugar. Políticas de desenvolvimento sustentável? Projetos para a conservação da vida animal? Acordos e tratados assinados por países para a não emissão de gás na atmosfera?

Fico a pensar se é realmente válida tais iniciativas se não mudarmos nossa própria consciência humana. Temos colocado sob nosso comando pessoas de interesses puramente materialistas e psicocêntricos. Gente que não se importa comigo ou com você, mas apenas com seu próprio umbigo. Pessoas de mente doentia e que talvez sejam a pior espécie de cancêr que nós temos que combater. Nossas políticas são louváveis e nossas propostas muito interessantes e as conhecemos bem. Porém, será que haverá mudança enquanto nosso coração não mudar?

Nós seres humanos temos o botão para apertar e cabe a cada um de nós fazer a escolha, isso que faz de nós especiais e divinos e ao mesmo tempo perigosos: podemos mudar nosso destino e de um planeta inteiro. E então, ainda gostaria de ser aquela Estrela? Um Abraço.

Versos em Prosa: Mulheres.

9 09UTC Março 09UTC 2007


(Hipatia de Alexandria)

Pensei em escrever algo diferenciado sobre a Mulher. Mas nada de tão infantil e nem que caisse em certas sentimentalidades exageradas e por vezes estapafúrdias. Conheci grandes mulheres em minha vida e não somente através dos livros, porém em situações reais e cotidianas, mulheres que em nada recordavam a canção de chacota de Chico Buarque intitulada Mulheres de Atenas. Posso exemplificar com algumas mulheres da história da Ciência, e de uma forma de Arte que, às vezes, desconsideramos: a Vida.

Hipatia de Alexandria é um exemplo memorável. Dizem os historiadores que foi a primeira mulher que escreveu seu nome na história. Interessava-se por Matemática e tinha uma singular beleza e cultura. Estudava a Filosofia Platônica e a Lógica Aristotélica. Dentre seus feitos é dito que escreveu uma tábua de Astronomia e que inventou certos aparatos mecânicos.

Sua morte, trágica, aconteceu por ser acusada de não mediar os conflitos entre a política e a religiosidade da época. Isto despertou a insanidade de alguns indivíduos que a esquartejaram. Um vazio que jamais será preenchido. Seu nome está gravado na história e nunca será esquecido, certamente uma mulher de valor inestimável.

Agora, vou falar de alguém que conheci por aqui mesmo, em Belém. Uma pessoa que certamente não conhece a vaidade e de fato espalha generosidade por onde caminha. Quando a conheci não tinha nome e nem sonhava em escrever. Quando brigávamos, recordava dos momentos em que doente ela me embalava à rede e que sempre dizia tao carinhosamente: deus te abençoe. Uma pessoa que perdeu tudo financeiramente e que nunca perdeu a compostura psicológica, nunca sequer a vi pensando em desistir e quando tudo parecia perdido em uma fase em que minha alma era cercada de demônios ela era meu serafim. Obrigado por tudo, mãe.