Diário de um depressivo crônico

By Roberto

Depressivo

Belém, 13 de março de 2007-03-14

            Acordei hoje com uma sensação péssima. Os efeitos colaterais dos remédios são horríveis. Náuseas constantes, tonturas, cefaléia, minha visão turvou. Meu psiquiatra disse que é normal nos primeiros dias, mas não consigo ver os resultados. Não consigo enxergar mais além de minha percepção física, será que o remédio turvou também os olhos de minha alma? Será que ainda tenho alguma depois do que fiz? A impaciência é gigantesca. Tenho vontade de…

            Meu coração está sem ritmo. É como se ele quisesse me falar algo, mas não conseguisse pontuar o que precisa falar. Parece uma espécie de voz abafada e tão distante quase como um suspiro, um suspiro fraco e agonizante. O que fiz a meu próprio coração? Meu amigo que me alerta de todos os males. O que fiz com minha intuição? Minha consciência parece obstruída, bloqueada. A mente se sente vazia, a memória está devastada. Não sei se pelos efeitos devastadores no Hipocampo dos remédios depressivos, ou…

            Não posso sair. Meus amigos agora pensam que fiquei louco. Estou isolado e não sozinho. Sinto me cansado o tempo todo, mesmo sem nada fazer. Não consigo tomar banho, não corto minhas unhas e a barba cresce. Sinto-me um lixo… Quando serei feliz? Até quando suportarei este fardo?

            Discursos como este são freqüentes em pessoas depressivas. Gente inteligente, aparentemente bem diante das coisas e péssimas em seu estado interior. Se você tem um amigo ou conhece alguém neste estado encaminhe a um profissional de saúde que pode ser um psicólogo, ou se depender do caso um médico especializado. Porém, não o deixe na mão. Todos precisamos uns dos outros e a melhor coisa para curar um mal que se enraíza na alma é o Amor e a Amizade. O melhor remédio é o apoio da família e dos amigos.  Um abraço.

 

5 Respostas para “Diário de um depressivo crônico”

  1. Daniel Jacob Disse:

    Bem legal os trechos. Todos ficamos tristes e sentimos essas coisas de vez em quando, mas sofrer deste mal e uma sensação virar doença deve ser terrível.

  2. Laine Disse:

    Roberto, acho que neste mundo de hoje, todos nós conhecemos alguém em uma situação destas, o que venho sempre a me perguntar – Quando a gente quer de verdade pelo menos estende a mão e segura com força a mão do outro?, durante 05 anos minha mãe viveu em trânsito, psiquiatra, psicólogos, neurologista e remédios, muitos mesmo. Mas a ajuda maior veio do PAI, Daquele que realmente está dentro da gente e esquecemos de conversar com ele. Ele obteve ajuda profissional, mas foi a vontade de segurar firme na mão de quem realmente estendeu para ela segurar. Amizade é essencial nestes casos e Amor é algo fundamental para alguém sair do buraco onde está. Beijinhos

  3. Daniel Jacob Disse:

    ei, colocastes meu link errado no teu blog.
    deixa só http://www.danieljacob.wordpress.com

    senão nunca vais ver ele atualizado. eheheheh.

    Daniel

  4. Aline Disse:

    Eu tb sou uma maniaca depressivaaaa. Sofro como transtorno bgipolar sendo que que meu lado deoressivo preodomina mais do de o akegre. Realmente faço suas palavras as minhas, fico me sentindo um lixo ambulante, inutil, que só dá despeças ao pai. Sinceramente jah pensei inumeras vezes em me sucidar sendo que da ultima vez dwescibriram e fiquei 4 dias internada num hospital psiquiatrico(um inferno). To tentando recomeçar a vida mas entendo exatamente io que se passa, e olha que faço acompanhamento psiquiatrico e psicologico. Boa sorte p/ vc tb! Bjs, Aline

  5. Roberto Disse:

    olá Aline,

    Na verdade o texto foi uma tentativa de mostrar como uma pessoa com depressão se sente no dia-a-dia, em verdade não sou um depressivo crônicom mas compreendo seus sentimentos e espero sinceramente que você saiba lidar com suas emoções e que encontre a felicidade que todos nós merecemos. Grato pelo comentário,

    Roberto.

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