
Belém, 13 de março de 2007-03-14
Acordei hoje com uma sensação péssima. Os efeitos colaterais dos remédios são horríveis. Náuseas constantes, tonturas, cefaléia, minha visão turvou. Meu psiquiatra disse que é normal nos primeiros dias, mas não consigo ver os resultados. Não consigo enxergar mais além de minha percepção física, será que o remédio turvou também os olhos de minha alma? Será que ainda tenho alguma depois do que fiz? A impaciência é gigantesca. Tenho vontade de…
Meu coração está sem ritmo. É como se ele quisesse me falar algo, mas não conseguisse pontuar o que precisa falar. Parece uma espécie de voz abafada e tão distante quase como um suspiro, um suspiro fraco e agonizante. O que fiz a meu próprio coração? Meu amigo que me alerta de todos os males. O que fiz com minha intuição? Minha consciência parece obstruída, bloqueada. A mente se sente vazia, a memória está devastada. Não sei se pelos efeitos devastadores no Hipocampo dos remédios depressivos, ou…
Não posso sair. Meus amigos agora pensam que fiquei louco. Estou isolado e não sozinho. Sinto me cansado o tempo todo, mesmo sem nada fazer. Não consigo tomar banho, não corto minhas unhas e a barba cresce. Sinto-me um lixo… Quando serei feliz? Até quando suportarei este fardo?
Discursos como este são freqüentes em pessoas depressivas. Gente inteligente, aparentemente bem diante das coisas e péssimas em seu estado interior. Se você tem um amigo ou conhece alguém neste estado encaminhe a um profissional de saúde que pode ser um psicólogo, ou se depender do caso um médico especializado. Porém, não o deixe na mão. Todos precisamos uns dos outros e a melhor coisa para curar um mal que se enraíza na alma é o Amor e a Amizade. O melhor remédio é o apoio da família e dos amigos. Um abraço.