Posts de Março 14th, 2007

Diário de um depressivo crônico

14 14UTC Março 14UTC 2007

Depressivo

Belém, 13 de março de 2007-03-14

            Acordei hoje com uma sensação péssima. Os efeitos colaterais dos remédios são horríveis. Náuseas constantes, tonturas, cefaléia, minha visão turvou. Meu psiquiatra disse que é normal nos primeiros dias, mas não consigo ver os resultados. Não consigo enxergar mais além de minha percepção física, será que o remédio turvou também os olhos de minha alma? Será que ainda tenho alguma depois do que fiz? A impaciência é gigantesca. Tenho vontade de…

            Meu coração está sem ritmo. É como se ele quisesse me falar algo, mas não conseguisse pontuar o que precisa falar. Parece uma espécie de voz abafada e tão distante quase como um suspiro, um suspiro fraco e agonizante. O que fiz a meu próprio coração? Meu amigo que me alerta de todos os males. O que fiz com minha intuição? Minha consciência parece obstruída, bloqueada. A mente se sente vazia, a memória está devastada. Não sei se pelos efeitos devastadores no Hipocampo dos remédios depressivos, ou…

            Não posso sair. Meus amigos agora pensam que fiquei louco. Estou isolado e não sozinho. Sinto me cansado o tempo todo, mesmo sem nada fazer. Não consigo tomar banho, não corto minhas unhas e a barba cresce. Sinto-me um lixo… Quando serei feliz? Até quando suportarei este fardo?

            Discursos como este são freqüentes em pessoas depressivas. Gente inteligente, aparentemente bem diante das coisas e péssimas em seu estado interior. Se você tem um amigo ou conhece alguém neste estado encaminhe a um profissional de saúde que pode ser um psicólogo, ou se depender do caso um médico especializado. Porém, não o deixe na mão. Todos precisamos uns dos outros e a melhor coisa para curar um mal que se enraíza na alma é o Amor e a Amizade. O melhor remédio é o apoio da família e dos amigos.  Um abraço.

 

Macro, Micro, Mutabilidade.

14 14UTC Março 14UTC 2007

“O que é não pode deixar de Ser”. Interessante não?! Imagine então que você e Eu somos uma ilusão passageira. Um vago sopro da vida que pode extinguir-se a qualquer momento. Ao assistir ao filme “Uma Verdade Inconveniente” fiquei surpreso ao ver a cena final em que a Terra em uma foto tirada de longe se parece com um pingo branco em meio a uma imensa folha de papel escura. Nossos conceitos de Eternidade e de Tamanho talvez estejam meio desconectados da visão até científica atual. Porém, isso já era discutido em algumas academias antigas por filósofos da antiguidade.

Recordo agora de uma história muito legal sobre e existêncialidade das coisas. Dizem que Parmênides caminhava pelas ruas ao pensar e que de repente viu se intrigado com uma cena curiosa: pessoas estavam reunidas para despedir se de um ente querido que havia morrido. Parmênides perguntou: quem morreu? E tudo mundo respondeu ao enigmático filósofo que disse: mas a morte, meus caros, como fim de tudo, não existe.Todos afirmaram que o sujeito à sua frente era louco, Contudo ele disse: Poderia provar a vocês? (Agora, imaginem essa situação em um velório, não parece mentira?).

E Parmênides explicou tudo de uma forma lógica que ninguém imaginava. Disse que o homem é composto por três coisas essenciais: Forma, Matéria, Espírito. Bem, então, vocês podem matar a forma de algo? Ou destruí-la?  Podem por exemplo matar a forma de um triângulo? Ou então a matéria? Pode a matéria destruir-se? Pode ser que ela modifique, mas jamais poderá desaparecer ou morrer porque ela é e o que é,  sempre será e não poderá deixar de ser (que coisa estranha). Agora pensem no espírito, podemos destruir algo que costumamos dizer que é absoluto? (bem, aqui o ponto é complicado, pois teríamos que analisar o conceito filosófico clássico de absoluto).

A resposta para as três perguntas era: Não! Então, não existe o fim de tudo. As coisas modificam, mas não morrem e vivem para uma nova etapa. O Budismo chama isso de Mutabilidade.

Agora imaginem uma formiga, já? Pequena não é? Porém, é pequena para nós, mas e para uma célula? E uma célula não contém elementos parecidos com os do Universo? E Nosso corpo não apresenta característica de uma sociedade Organizada como a das pequenas formigas? O Macro reflete no Micro. Como algo que está dentro de nós pode ser reflexo de algo tão complexo e intricado como uma cultura, uma sociedade organizada? e Qual a relação disto com o Universo? Perguntas inquietantes para corações inquietos e ávidos por respostas.

O Universo está dentro de nós. Todos os átomos que estão em você agora já foram um Satori San, ou um Michael, ou então um Sankara, ou então um José qualquer. O que quero dizer é que tudo que temos não perde seu valor e se distribui no universo de uma forma inteligente que ainda não ousamos conhecer. Posso estar errado, mas existe uma lógica no mecanismo e nas engrenagens de tudo que vemos, que de certa forma não obedece a uma ordem cega, mas inteligente e muito criativa. Namaskar.