Hoje, temos o de sempre na TV: sangue. De diferentes maneiras, temos por exemplo o aumento de acidentes nas estradas durante o carnaval (festa realmente cultural, e problematizada pela falta de critério popular que confunde diversão com pornografia entre outros problemas mais graves e nem tanto comuns). Temos os atentados no Iraque, a miséria (já banalizada) na África, carros que arrastam crianças por vários bairros em uma das capitais mais importantes (e sede dos jogos pan-americanos) do Brasil, crime bárbaro e extremamente cruel, digno de um ser bizarro que pode ser tudo, porém que nao pode ser classificado como Humano. E todos se perguntam? Mas cadê a Humanidade? Onde estão os sonhos coletivos? Aqueles que falavam do mundo melhor, justo e fraterno. Cadê?
Com certeza não é na frente da TV que você encontra respostas para esse problema. Os noticiários apelam, fazem com que o cidadão sinta-se acoado diante de sua condição de idiota passivo da história, ao noticiarem que mais uma guerra se aproxima logo falam sobre os peixinhos lindos do aquário da fulana de tal ou do curió trovoada que rendeu ao seu tutor uma grande quantia em dinheiro. Afinal de contas, informar ou formar? O que estamos fazendo? Nos jogamos em demasia aos apelos visuais estranhos e jogamos de acordo com a fantasia que a mídia nos impõe, mas isso é velho e discutido por milhares de pessoas o tempo todo por todo mundo. Porém, você aí, pensas ou és pensado de acordo com a música do grande maestro?
A tal psicologia vitimamante é reforçada quase que cruelmente. Somos forçados a acreditar que não podemos mais fazer diferença alguma, que somos imbecis de livros e idéias nas mãos, porém sem garra e atitude para uma mudança real. Tenho, às vezes, vergonha de ter nascido em um país em que tudo e todos assistem a tudo como se fosse uma grande piada, ou até se chocam, mas esquecem dos choques “violentos” que a vida dá pelo fato de que é carnaval, ou o Brasil é assim mesmo. Até quando seremos os patifes dessa história? Pois, o Presidente, senadores e lálálá têm sua parcela de responsabilidade, porém não são totalmente responsáveis.
Tudo isto também é culpa minha e sua. Então, ponha a mão, não apenas na sua consciência lógica, mas em seu coração, a fim de que sejamos bastante ousados, bem ousados mesmo, como os patifes que assolam nossas noites, matando nossos parentes, nossos irmãos, em um banho de sangue infinito ou como os patifes políticos que de bastante ousados fazem de você e de mim um bando de patetas que assistem a tudo bestilizados. Portanto, que procuremos ser ousados e iniciar uma revolução mental, para que possamos buscar nossos direitos e fazer deles uma lei universal.