Sobre a Teoria do Caos: algumas considerações

4 04UTC Julho 04UTC 2009 by Roberto

Estive lendo alguns blogs interessantes pela internet e me deparei com um texto maravilhoso no Digestivo Cultural sobre a teoria do Caos. O tema é interessante, não tem nada de esvaziado em significado e não é muito comentado. O problema é que não consigo apostar na teoria, não entendo o motivo, pois não existe, para mim, uma desorganização total, o caos, ou para alguns, entropia. O que existe, é seu contraponto: a neguentropia, como fator que coordena os opostos e equilibra o universo. Não penso que seja uma força cega, mas um sistema inteligente, que transcende todas as esferas da dualidade, para além do Bem e do Mal, como costumava dizer Nietzsche. Alguns pensam logo no conceito de deus, mas deus pode ser um conceito? (só uma digressão, rapidinho).

Não, não penso que deus seja um conceito. Isto porque ele não pode ser nada, e ao mesmo tempo é tudo. Agora, pergunto a vocês: como uma mente prenhe de preconceitos e analítica, que costuma raciocinar as coisas em pormenores detalhes, sem ter uma visão do todo, pode enxergar o absoluto? Não temos a dimensão do que seja o inominável, mas podemos, por exemplo, encontrar algumas de suas manifestações no microcosmo, pois ele sempre será o reflexo do macro. Vamos a algumas idéias.

Vamos pegar o surrado exemplo do corpo humano. Sistematicamente organizado, coeso e eficiente. Os antigos costumavam dizem que nossa máquina biológica não era apenas dotada de instintos, mas também era regida por um princípio inteligente, o que alguns chamam de consciência, a chispa divina que faz dos homens, seres particulares na existência.  Basta observar uma pessoa quando morre, o seu corpo perde o elemento que o animava, o corpo entra em estado de entropia orgânica, o caos generalizado, pois a “chama” deixou de habitá-lo.

Outro exemplo é o da sociedade que, quando se afasta dos elementos de transcendência, procurando valorizar o mundano ao invés do espiritual, quando não procura estabelecer um contato com o principio metafísico,  tem uma forte tendência à dissolução que, lentamente, desemboca no  estado caótico. É a sociedade sem ideais, sem grandes aspirações ou elementos que a encorajem.  Não há um objetivo, um lugar a chegar, ou algo que inspire nos homens um sentimento de fraternidade, de união.

O que quero dizer, com esses dois simples exemplos, é que para todo grande sistema, sejam orgânicos ou não, deve existir um elemento que estabeleça um sentimento de coerência, não sei definir ou nomear o que seja, contudo acredito fortemente que há um elemento que inspira a ordem, mas não uma ordem cega e totalmente previsível, como, por exemplo, a noção que temos de destino. Pode até ser que tenhamos um destino traçado, mas os deuses temiam aos homens justamente porque tinham a capacidade de alterá-lo.

O certo é que o caminho é sempre a evolução, o crescimento, o templo sagrado que mora em nossos corações e que esquecemos, mas que voltamos a recordar quando enxergamos a beleza desta inteligência que permeia a tudo.Portanto, estamos em meio ao caos pela razão de termos nos afastado de nossa natureza divina e espiritual e, enquanto não nos voltarmos para dentro de nossas almas e enxergamos a verdade para além da dualidade, seremos sempre aquelas pessoas que tateiam nas sombras deste mundo que nada mais é do que uma simples ilusão.

Amigos Fiéis…

1 01UTC Julho 01UTC 2009 by Roberto

Os cães não precisam de carros luxuosos, de roupas grandes ou de roupas chiques, água e alimento já são suficientes. Um cachorro não liga se você é rico ou pobre, esperto ou não, inteligente ou não, entregue seu coração e ele dará o dele. De quantas pessoas podemos dizer o mesmo? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial? Quantas pessoas nos fazem sentir  extraordinários? (Marley e Eu).

Os antigos egípcios, em sua rara e impressionante observação da natureza, costumavam desenhar na entrada de suas casas a figura de um cachorro. Sabemos o motivo: demonstrar que ali havia união e amizade. Eu sempre tive cachorro e desde criança tenho a oportunidade de ter sua honrosa companhia. Quando tiver meus filhos entregarei a eles, quando pequenos, os cuidados e a amizade de um cão, pois certamente não há amor maior, somente o da própria família.

Todos os animais são nossos irmãos menores e temos responsabilidades para com eles, ainda mais quando eles nos acompanham e nos são fiéis ao longo de toda sua vida. Mas, ao cuidar de um cão é certo que temos de educá-lo e disciplinar seu estilo de vida. Assim, estaremos cuidando deles de verdade, pois não adianta apenas acariciar e dormir com eles, mas temos de ter também a responsabilidade por sua saúde mental e psíquica.

Hoje, trate de ver o seu pequeno, converse com ele e leia um bom livro ao seu lado. Afinal, o tempo passa e amanhã ele pode não estar mais aqui. Como diz o livro, basta entregar o seu coração e ele dará o dele, um cachorro não precisa de mais nada. Não é um excelente exemplo para nós?

Namaskar.

Mais Imaginação, menos Pensamento…

25 25UTC Junho 25UTC 2009 by Roberto

Não era tarde, mas é certo que não era cedo, o coletivo trafegava lentamente pelas ruas da cidade atormentada. Não suspendia o olhar, estava imerso nos pensamentos, não recordo exatamente no que pensava, se em um novo texto, ou um verso livre e pobre, não, não sei exatamente no que pensava, a única certeza que tinha é que o ônibus sacolejava, mas eu pouco me importava com o que acontecia fora, nunca fui de prestar atenção em nada, o que me importava era o mundo cá dentro de mim, não era vasto, mas era meu, com meu vulcão e minha rosa encoberta pela redoma, mais nada. Mas algo ocorreu repentinamente, suspendi os pensamentos que cansados da minha mente repetitiva foram contar das suas a outras pessoas, fiquei em silêncio a ouvir o que me dizia a vida mais uma vez.

Foi quase que como um estalo mental. Pulei sobressaltado da cadeira, mas ninguém notou, só sei que uma gargalhada estrondosa e algumas frases geniais ganharam o espaço, daquelas assertivas que não reconhecem o tempo e se tornam imortais, tudo pela razão de ter sido dita com ternura. Se os senhores conhecem a ternura hão de saber: ela comove. Tive certeza disso naquele momento, naquela frase, naqueles gestos, naquele jeito especial de ver o mundo que cativou a todos, não digo que esboçaram um sorriso sem graça, mas projetaram para dentro de si o melhor dos sorrisos, aquele sorriso que como diz o poeta é pontual.

O segredo do susto e da reação dos passageiros era um moleque. Um moleque na fase dos porquês e das frases insólitas. Admirado olhava o mundo lá fora, e para cada coisa que via soltava uma afirmativa, mas eu olhava e não via o que o menino apreciava tanto, depois aprendi o mistério, aquele mistério do Pequeno Príncipe, da frase de concurso de beleza: “o essencial é invisível aos olhos”. Entendi tudo. Bem, vamos aos fatos.

O pai não falava nada, estava aborrecido e lia o caderno policial manchado de sangue. A mãe não, ela compreendia o mistério, pois as elas, as mães, conhecem todos os mistérios do coração das crianças, também não falou nada, estragaria o momento. A criança continuava sorrindo, olhava para o mundo lá fora e não enxergava a fome, a miséria, e tudo o mais que torna feio o mundo real, para ela o mundo não era real, era místico, não que isso fosse fantasioso, nada disso, o mundo das crianças é pura imaginação e ela, a imaginação, é força poderosa e criativa. “Mais imaginação e menos pensamento”, era o que eu pensava e o que criança dizia com o coração e o que todo mundo percebeu.

Recordo que, em um dado momento, passávamos em frente a uma praça quando ele exclamou de repente: – papai! Olha aquela cachoeira linda, a gente pode vir tomar banho aqui? Eu rapidamente olhei para os lados para procurar a cachoeira e nada vi, havia apenas uma fonte antiga, mas eu olhava sem a imaginação do menino, pois a fonte bela e esquecida em meio à praça era a tal cachoeira do pequeno, não pude conter o riso, sorri com o melhor que havia em mim, não de deboche, mas das maravilhas que uma criança pode produzir. É aquela mística desconhecida dos adultos e seu mundo eternamente chato, aborrecido.

Depois, mais a frente, ele olhava as crianças pedindo esmola, carentes, magérrimas de fome, carinho e respeito. Parou, olhou, e disse: – mãe! Olha um menino, mas por que ele está na rua, mãe? Cadê a mãe dele? Ela não disse nada, apenas baixou a cabeça, a maioria estava com ela, os passageiros também pararam e refletiram entristecidos e eu continuava a prestar atenção, não pensava em nada, não queria pensar, queria apenas ter em mim aquele coração que não enxergava as maldades do mundo. Quem sabe, um dia deus me deixe olhar na sua caixa de milagres, haverei de pedir que todos os homens tenham o coração de menino, e não de homens, pois assim não haverá mais crianças nas ruas, todos eles terão mães cuidadosas e ternas, serão felizes e todas as fontes serão cachoeiras.

Tudo imaginação, e não fantasia. Afinal, o que custa sonhar com o que é belo? Não se trata de mascarar a realidade, mas sonhar com o mundo possível cheio de otimismo. Se você, amigo leitor, não sonha com o mundo assim é porque seu coração já não é mais um coração e sim um aparato eletrônico sem vida, mecânico e frio. Deixaste de ser humano, és agora máquina e números, mais nada.