Sobre a Educação e as Ideias – Nota

14 14UTC dezembro 14UTC 2011

A educação atual, instrumentalizadora e conteudista, empobrece a criatividade e inibe a inteligência. Antes de tudo, não devemos tratar de conhecer todas as coisas, isso é impossível, mas de ser pessoas melhores e cultivar em nós ideias nobres. Para isso, não devemos jogar nossos livros fora, isso é radicalismo, e não convém a uma postura filosófica, mas tratar de ler com critério, escolher bons autores, ideias saudáveis, porque não compete à mente crescer sem controle, o crescimento por si só é câncer. Neste sentido, é importante selecionar as ideias, organizá-las e, melhor, redimensioná-las, para que assim elas possam ser ampliadas, porque uma boa ideia nunca se basta, ela sempre poderá ser expandida e, sendo uma boa ideia, poderá crescer infinitamente sem ser câncer, mas será Amor.

A maldição de Midas

22 22UTC novembro 22UTC 2011

Antes de tudo gostaria de fazer uma observação. Espero que os leitores não pensem que este texto é mais uma prova de vaidade (embora ache que seja), pois também sou tomado por ela muitas vezes (e quase o tempo todo), pois meu intuito não é dizer verdades, mas emitir uma opinião, e por mais que ela soçobre a verdade, ainda sim será opinião e mais nada, portanto, apenas um fragmento. A humildade é um caminho que nos permite valorizar o mistério que existe diante de nós, que nos permite compreender que somos pequeninos diante da grandeza de deus e do universo, a humildade é a verdadeira chave para o entendimento da verdade, porque quando nos despojamos de todos os conceitos é que podemos visualizar o sagrado que existe em nós.

A vaidade

Desde o início do tempo (e talvez para mais além dele) os mestres e sábios transmitiam seus ensinamentos para a massa por meio de parábolas e historietas que escondiam um mistério próprio do homem, os chamados mitos. Essas histórias são conhecidas hoje como anedotas explicativas sobre como os antigos descreviam os fenômenos inexplicáveis da natureza, mas não é nada disso, um mito, como a própria palavra diz, trata daquilo que está oculto e silencioso dentro do coração de cada um.

Um desses mitos trata do rei Midas, um rei imprudente e ganancioso que após conduzir o fauno Sileno à presença de Dionísio (aquele havia se extraviado da morada do deus) foi recompensado por este com um pedido, apenas um, sendo que poderia pedir aquilo que quisesse. Midas nem pensou duas vezes, solicitou a Dionísio que tudo que pudesse tocar dali em diante virasse ouro, o deus, consciente da falta de luz do solicitante, atendeu ao pedido.

 Ao chegar ao seu suntuoso castelo, Midas tratou de verificar a sua sorte, tocou as portas do palácio e elas se transformaram em ouro, imediatamente. Mas, como nem tudo que reluz…, o nosso anti-herói começou a perceber que a Fortuna, como deusa instável, costuma girar às vezes repentinamente o seu leme. Assim, ao tocar em uma taça de vinho, por exemplo, ela se tornou ouro, o pão também e até mesmo sua pequena filha, a quem tanto amava, tornou-se uma bela estátua de metal.

 Há pessoas que se comportam da mesma forma como Midas. Na verdade esta é uma história sobre a vaidade, aquele vício que nos diz que somos insubstituíveis e especiais filhos da criação. Ela nos faz crer que os outros nasceram para nos servir e que tudo que fazemos em relação aos demais e a nós é um bem inexorável e que não pode ser medido. Tudo que tocamos é ouro. A vaidade é um dos maiores males que existem, a partir dela não deixamos que nos façam sugestões e nem aceitamos conselhos, achamo-nos autossuficientes e sábios o bastante para espalhar pelo mundo nossas gotas de sabedoria, sem ao menos ter a preocupação em vivê-las.

A vaidade é filha da ilusão, penso, e da mentira. A pior mentira contada a um ser humano é a de que ele é um ser insólito e fantástico aos olhos dos deuses. A vaidade nos faz acreditar, por exemplo, que somos melhores do que os outros por possuirmos mais coisas que eles (mesmo que a maioria delas seja completamente inútil), consideramos o status uma verdade, sem perceber que em um mundo de sete bilhões de pessoas somos apenas mais uma, e apenas um segundo diante da eternidade do universo. A vaidade coloca em nossas cabeças a terrífica ideia de que o meu bem pode ser o bem de todos, esquecendo que nem sempre o que é bom para a abelha é bom para a colmeia.

Temos vários subtipos de vaidade, entre elas a acadêmica, um sistema que admite a ideia de que, ao dominar um discurso, tenho o direito a ser arrogante para com os outros. Todos nós, em algum sentido, ao dominar um determinado conceito nos tornamos fechados para as ideias alheias. Passamos a não acreditar mais em nada, a não ser em nossos próprios descalabros e, assim, tornamo-nos os piores fanáticos, porque passamos a considerar a nossa verdade como a única viável. E não é esta a postura de muitos “cientistas” que ao desconsiderarem algo por não saber explicá-lo procuram tachar àqueles que buscam uma explicação de tolos e ingênuos?

Nunca é de mais recordar Sócrates que, ao ser tido como mais sábio de Atenas pelo Oráculo de Delphos, deixou-se apenas dizer que nada sabia, ou então Cristo que interpelado por um governador romano simplesmente manteve o silêncio ante a pergunta, pois tudo que dissesse limitaria o próprio conceito daquilo que lhe foi perguntado. Eles possuíam esta virtude que esquecemos: humildade de coração, e olha que eram sábios, e procuravam ratificar suas teorias com sua postura diante da vida.

A verdadeira heresia

Impregnados pelo individualismo e pelo personalismo, acreditamos naquilo que os orientais chamam de heresia da separatividade, que diz que o outro nada tem a ver comigo, que somos unidades distintas, que não preciso do outro para ser feliz, etc. Temos de extirpar esta ideia da mente e, principalmente, do coração, devemos servir humildemente aos nossos irmãos, ajudar a cada pessoa que te estende a mão quando ela precisar. Como o colar de Shiva, em que um fio passa por todas as pérolas, devemos entender que há algo em comum em todos nós e que a tristeza de um é a nossa, essa é a ideia da compaixão, e a compaixão é humildade.

Ao termos este sentimento em nós, poderemos observar que tudo que tocaremos não virará apenas um frio metal reluzente, mas ocorrerá uma transmutação verdadeiramente alquímica do mundo e o literal virará o simbólico e teremos em nós um coração de fogo, o coração metafísico, capaz de não apenas transformar, mas eduzir em nós a nossa verdadeira essência, e para isso é necessário uma postura enérgica para com a vaidade, entender que devemos servir humildemente, e que somente pelo Amor e pela Compaixão é que poderemos vislumbrar, ainda de longe e na ponta dos pés, aquilo que muitos chamam de Verdade.

Um abraço.

Torna-te o que És

14 14UTC agosto 14UTC 2011

Já pensei em burlar as leis da física e pertencer a dois lugares ao mesmo tempo, mas descobri que era impossível. Já tentei conversar com pessoas de opiniões diferentes e ter sucesso, porém já tentei o diálogo com o fundamentalismo e quase apanhei muitas vezes. Descobri que algumas vezes, não importa o quanto se é bom, algumas coisas não têm perdão e peço desculpas a quem não posso perdoar. Já tentei resolver o teste de Einstein muitas vezes e compreendi que minha capacidade em lógica é muito deficiente.

Já tentei rascunhar textos inteligentes sem sucesso. Li e compreendi Machado de Assis, porém nunca vou ter aquela arguta capacidade de observação da psique humana. Vi o que havia de bom em Álvares de Azevedo. Sintetizei a maior parte dos livros que li para chegar à conclusão óbvia que não havia entendido muita coisa. Já disse muitas vezes que li livros que nunca lera de fato e em outras ocasiões comentei livros que a maior parte das pessoas nunca leu e isto não me faz melhor nem pior que ninguém. Pois o homem não se define pelo quanto sabe, mas pelo que é capaz de fazer com o que sabe.

Tentei argumentar várias vezes que a culpa não é do sistema. Fiz discursos em praças vazias para mostrar que a revolução se dá no Coração do homem. Algumas vezes tentei mostrar que estudava Ocultismo, mas que não era Ocultista. Delimitei várias vezes meus sentimentos e os entreguei a quem não merecia e chutei a maior parte das vezes as oportunidades decentes. Tive mestres de verdade, porém nunca de fato soube honrá-los com a prática de seus ensinamentos. Consegui me formar quando todos acreditavam que era impossível.

Descobri que sou demasiadamente humano e como humano descobri que nasci para amar e ser amado, sofrer e fazer sofrer, brincar e ser responsável, ou seja, descobri que tudo neste plano relativo tem seu contrapeso e sua compensação. Morri muitas vezes por saber de  pessoas que simplesmente davam de ombros ao ouvir falar do meu nome, porém um dia resolvi dar de ombros quando ouvia o nome delas. Perdi muitos amigos por ser falso e hoje não importa o que eu fizer, eles não vão mudar de opinião, pois a imagem congelou no tempo e não existe espaço para curar certas feridas.

Em trinta anos muita coisa mudou, transmutou e cresceu. Avançamos no tempo, mas será que entramos de fato nele? Será que ainda somos os mesmos de 10 anos atrás? Faça como o tempo e siga em frente, mas recolha alguns de seus brinquedos que ficaram para trás, faça da sua vida uma verdadeira viagem a fim de que descubras quem és. “Torna-te aquilo que és” (Nietzsche).

Namaskar


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